O volume e a intensidade dos ataques de negação de serviço (DDoS) estão a atingir proporções inéditas. A Cloudflare anunciou o bloqueio de 805 investidas à camada de rede que ultrapassaram a marca de 1 terabit por segundo (Tbps) apenas no segundo trimestre de 2026. Este número representa um salto gigantesco face aos 130 incidentes registados nos três meses anteriores, evidenciando uma capacidade cada vez maior por parte dos atacantes para gerar inundações extremas de tráfego.
O perigo dos ataques hipervolumétricos
Durante a primeira metade do ano, o cenário global mostrou-se bastante desafiante para as empresas que mantêm infraestruturas expostas à Internet. No total, foram mitigados mais de 13 milhões de ataques à camada de rede no segundo trimestre. Embora a esmagadora maioria destas ofensivas seja de pequena dimensão e curta duração — mais de 90% terminam em menos de dez minutos, o aumento de 519% nos eventos de hipervolume exige uma atenção redobrada.
Uma simples inundação de tráfego pode deitar abaixo servidores desprotegidos, o que obriga as equipas de segurança a adoptar medidas proactivas. É neste contexto de combate ao cibercrime que as autoridades também começam a agir de forma preventiva, como se viu recentemente quando a polícia europeia decidiu contactar dezenas de milhares de indivíduos suspeitos de envolvimento nestas redes de ataque.
Como os dispositivos comuns alimentam as ameaças
Para gerar volumes de tráfego capazes de ultrapassar 1 Tbps, os piratas informáticos recorrem a redes de dispositivos infectados, conhecidas como botnets. Estes exércitos digitais não são compostos apenas por computadores tradicionais. Routers, câmaras de segurança e até televisões inteligentes com ligações vulneráveis são recrutados silenciosamente para enviar pedidos em massa contra um alvo específico.
Os métodos utilizados pelos atacantes também sofreram alterações significativas ao longo do ano:
- Inundações de DNS: Este vector representou uma grande fatia da actividade maliciosa, com o objectivo claro de esgotar a capacidade de resposta dos servidores e tornar os domínios inacessíveis para os utilizadores legítimos.
- Abuso do protocolo CLDAP: Registou-se um crescimento exponencial na exploração de serviços expostos, uma técnica que permite amplificar o tráfego direccionado às vítimas através da falsificação de endereços de origem.
- Foco nos meios de comunicação: O sector dos media e da publicação foi o mais fustigado, um fenómeno impulsionado pela cobertura de eventos geopolíticos de grande relevo à escala global.
Estratégias de defesa para as empresas
Aumentar a capacidade dos servidores já não é suficiente para travar estas ameaças. As empresas precisam de implementar sistemas de filtragem a montante, capazes de identificar e desviar o tráfego malicioso antes que este atinja a infra-estrutura principal. A protecção automatizada tornou-se essencial, uma vez que os ataques modernos atingem o seu pico em poucos segundos.
Além de investir em soluções de mitigação de DDoS, é imperativo manter todos os sistemas actualizados para evitar portas de entrada fáceis. A rapidez na detecção e no bloqueio de bots maliciosos é, hoje, a única garantia de que os serviços online permanecem operacionais durante uma tempestade de tráfego.
