A decisão da fabricante nipónica de acabar com a produção de jogos em formato físico a partir de Janeiro de 2028 está a gerar uma enorme onda de contestação. Uma petição criada na plataforma Change.org já ultrapassou as 172 mil assinaturas em menos de uma semana, de acordo com o site Tom’s Hardware.
A iniciativa foi lançada por Jade Pearce, director executivo da retalhista canadiana PNP Games, no mesmo dia em que a decisão de abandonar os discos nas consolas PlayStation se tornou pública. O documento reuniu 40 mil nomes nas primeiras 48 horas e continua a crescer a um ritmo acelerado, preparando-se para quebrar a barreira das 200 mil assinaturas a muito curto prazo.
O perigo do formato exclusivamente digital
O texto da petição sublinha que um código de descarregamento dentro de uma caixa representa apenas uma licença revogável e não uma propriedade real. Para ilustrar este ponto, Pearce recorda a recente remoção de centenas de filmes e séries da Studio Canal das bibliotecas dos utilizadores da PlayStation, conteúdos que tinham sido legitimamente comprados.
Além da questão da propriedade, o fim do formato físico ameaça milhares de postos de trabalho. O documento destaca que uma transição total para o digital apaga silenciosamente uma indústria inteira, afectando as seguintes áreas:
- Lojas retalhistas e distribuidores que dependem da venda directa ao público para manter os seus negócios viáveis.
- Fábricas, armazéns e empresas de logística responsáveis pela produção, armazenamento e transporte dos bens materiais.
- O mercado de jogos em segunda mão, que permite aos jogadores trocar, vender ou emprestar os seus títulos de forma livre.
- A comunidade de coleccionadores e os esforços de preservação da história dos videojogos, que ficam dependentes de servidores que podem ser desligados a qualquer momento.
Mudanças nas fábricas e o futuro do hardware
Enquanto o silêncio impera nos canais oficiais da marca, as mudanças já estão a acontecer nos bastidores. A fábrica da Sony DADC na Áustria, que produz cerca de 600 mil discos por dia, começou a transferir funcionários e equipamento para a produção de microlentes óticas. A empresa investiu 30 milhões de euros em novo equipamento e espera que a produção de discos caia para cerca de 10% do volume actual até 2028.
No que diz respeito ao hardware, os rumores indicam que a próxima geração de consolas da marca está a ser desenvolvida sem um leitor de discos integrado. Caso a empresa decida manter o rumo, qualquer unidade de leitura ótica será tratada como um acessório opcional. Resta saber se esta pressão popular, aliada a inovações como o novo comando com botões reactivos que a empresa patenteou recentemente, fará a gigante japonesa repensar a sua estratégia a longo prazo e devolver a escolha aos consumidores.
