Um vídeo interno de 2024, que surgiu recentemente na Internet, mostra os planos da Microsoft para criar um sistema operativo totalmente focado em Inteligência Artificial. Conhecido internamente como “Project Aion”, este software afasta-se do formato tradicional do Windows para oferecer uma experiência baseada na web.
De acordo com o site Windows Central, o sistema utiliza uma versão reduzida do código do Windows, chamada Win3, e coloca o Microsoft Edge no centro de toda a operação. Ao iniciar o computador, os utilizadores não encontram o habitual menu Iniciar ou ícones no ambiente de trabalho. Em vez disso, a barra de tarefas exibe apenas um botão colorido do Copilot ao centro, que serve como ponto de partida para todas as interacções.
Uma nova forma de organizar o trabalho
O Project Aion abandona a organização tradicional focada em aplicações e introduz novos conceitos para a gestão diária:
- Organização por objectivos: Em vez de agrupar todos os documentos de texto ou separadores do browser de forma isolada, o sistema utiliza uma funcionalidade chamada “Spaces”. Este motor, conhecido como Silverstone, junta os ficheiros e as páginas web consoante a tarefa ou o projecto que o utilizador tem em mãos.
- Análise profunda de contexto: Como tudo funciona através da web, a Inteligência Artificial consegue analisar o código das páginas para compreender o contexto real do conteúdo, em vez de se limitar a capturar imagens do ecrã para perceber o que está a acontecer.
- Interface dinâmica: A apresentação visual adapta-se aos pedidos. Se o utilizador pedir um resumo de um projecto, o sistema pode gerar uma janela de conversação independente com um ícone criado por IA, ou até apresentar um rascunho de e-mail pronto a enviar sem exigir a abertura de um cliente de correio electrónico.
Foco nas empresas e ausência de aplicações locais
Como é um sistema operativo baseado na web, o Aion não consegue executar aplicações tradicionais do Windows (Win32) de forma local. No entanto, se o utilizador precisar de abrir um ficheiro pesado que exija software de secretária, o sistema detecta essa necessidade. Através de um botão de transição, a plataforma liga-se de imediato a um Cloud PC através do Windows 365, com o conteúdo já carregado. Esta abordagem indica que o projecto foi desenhado a pensar nas empresas.
A barra de pesquisa principal também reflecte este foco profissional. Ao escrever um comando, o sistema decide se deve encaminhar a pergunta para a versão empresarial do Copilot, para proteger os dados de trabalho, ou para a versão de consumo. Além disso, a integração com o Microsoft 365 permite identificar colegas de trabalho ou ficheiros directamente nos pedidos de texto.
O futuro incerto da Inteligência Artificial no Windows
Tudo indica que o Project Aion foi uma experiência interna que acabou por ficar na gaveta, especialmente após as recentes mudanças na liderança da Microsoft. A recepção do público a um sistema operativo exclusivo para a web e dominado pela IA seria, muito provavelmente, negativa nos dias de hoje.
A própria empresa tem vindo a recuar em algumas das suas apostas mais agressivas neste campo. Recentemente, a gigante tecnológica reconheceu que a introdução de uma tecla física dedicada à IA não correu como o esperado, prometendo alterações de design. Ao mesmo tempo, para responder às críticas dos utilizadores que preferem um ambiente de trabalho mais tradicional, a marca já dá a possibilidade de desinstalar a ferramenta de assistência inteligente do sistema. Esta mudança de estratégia estende-se a outros departamentos, o que levou a administração a travar a implementação destas tecnologias nas suas plataformas de videojogos.
