O avião futurista X-59 da agência espacial norte-americana está prestes a enfrentar o seu maior desafio. Segundo o site Science Daily, a aeronave prepara-se para quebrar a barreira do som pela primeira vez. Após uma série de testes bem-sucedidos que levaram o avião a velocidades quase supersónicas, os engenheiros estão a preparar tudo para voar acima de Mach 1 e, eventualmente, atingir Mach 1.6 a 60 mil pés de altitude.
O fim do estrondo sónico
Este avião experimental foi desenhado para substituir o tradicional e ensurdecedor estrondo sónico por um ruído muito mais suave, semelhante a uma pancada abafada. Trata-se de um avanço tecnológico que pode ajudar a trazer de volta as viagens de passageiros a velocidades supersónicas sobre áreas habitadas. Cathy Bahm, gestora de projecto do Low Boom Flight Demonstrator da NASA, afirma que a equipa está a caminhar para as condições de teste para as quais o X-59 foi criado.
Os primeiros voos supersónicos
A agência espera que o X-59 ultrapasse a velocidade do som no início de Junho de 2026. A aeronave deverá voar a mais de 1000 km/h a uma altitude de 43 mil pés. Posteriormente, tentará um voo em condições reais de missão e deverá atingir Mach 1.4 a aproximadamente 55 mil pés. Estes objectivos de desempenho são fundamentais, pois correspondem às condições que a NASA planeia usar quando sobrevoar comunidades nos Estados Unidos para recolher a opinião pública sobre o ruído reduzido.
No entanto, nestes primeiros testes, um avião de perseguição convencional vai acompanhar o X-59. O estrondo mais alto desse avião de apoio vai acabar por mascarar o som mais silencioso gerado pelo jacto experimental. Durante o verão, este avião de perseguição vai transportar uma sonda especial para recolher as primeiras medições das ondas de choque do X-59.
O que a NASA aprendeu até agora
A primeira fase de testes cumpriu vários objectivos importantes e produziu dados valiosos. Depois do voo inaugural em Outubro de 2025 e um período de manutenção, a aeronave regressou aos céus em Março de 2026, para completar mais catorze voos.
Durante este período, a equipa conseguiu recolher o trem de aterragem pela primeira vez, o que permitiu revelar o perfil aerodinâmico distinto do avião em pleno voo. Além disso, o avião alcançou altitudes de 43 mil pés e velocidades muito próximas da barreira do som, ao chegar a Mach 0.95.
Os engenheiros também realizaram o primeiro dia com duplo voo, um passo que tornou a execução de múltiplos voos diários uma rotina nos testes. A transição de voos cada vez mais rápidos e altos para testes mais lentos e a baixa altitude permitiu avaliar o desempenho numa vasta gama de condições de operação.
Toda esta informação ajudou a testar sistemas vitais, como a distribuição de combustível, a hidráulica e o Sistema de Visão Externa. Este sistema único baseado em câmaras substitui o tradicional pára-brisas frontal, para oferecer ao piloto uma visão em tempo real do que está à frente da aeronave através de um ecrã.
A expansão dos limites
O próximo conjunto de voos vai desafiar a aeronave de uma forma totalmente nova. Os pilotos vão continuar a trabalhar nos pontos de teste planeados, enquanto os engenheiros avaliam o comportamento da máquina em verdadeiras condições supersónicas.
Voar a estas velocidades é um marco crucial para a equipa, um passo que aproxima o projecto da demonstração da capacidade supersónica silenciosa que está no centro da missão Quesst. Os entusiastas da aviação podem acompanhar as actualizações da missão ao abrir o seu browser e visitar a página oficial da agência espacial.