A recente aposta da Google em integrar ferramentas de inteligência artificial no seu motor de busca está a gerar uma onda de descontentamento entre os utilizadores. A introdução do modelo Gemini e as respostas geradas por algoritmos no topo dos resultados levaram uma parte significativa do público a procurar alternativas que respeitem a privacidade e ofereçam uma experiência de navegação tradicional. É neste cenário que o motor de busca DuckDuckGo e o browser Vivaldi estão a registar um crescimento notável.
Segundo o site PiunikaWeb, a tendência de rejeição à inteligência artificial ganhou força após o evento Google I/O, onde a gigante tecnológica confirmou que o futuro da pesquisa passa por estas novas tecnologias. Em resposta, os utilizadores estão a migrar para plataformas que prometem uma internet livre de assistentes virtuais intrusivos.
O manifesto do Vivaldi contra a inteligência artificial
A empresa responsável pelo browser Vivaldi aproveitou o momento para reafirmar a sua posição. Através da rede social X, a marca republicou o seu manifesto intitulado “Navegar sem IA”, garantindo aos utilizadores que não mudou de ideias quanto à exclusão destas ferramentas do seu software.
Assinado pelo director executivo Jon von Tetzchner, o documento defende que colocar um assistente artificial entre o utilizador e a web significa dar poder às grandes empresas tecnológicas para filtrarem o que as pessoas podem ou não ver. A empresa compara a navegação automatizada a pagar a um robô para ir jantar com os amigos e pedir-lhe um resumo da noite mais tarde.
Esta abordagem contrasta com a de outros concorrentes focados na privacidade, como o Brave. Embora o Brave permita desactivar as suas várias funcionalidades de inteligência artificial no painel de definições, a presença nativa destas ferramentas continua a afastar os puristas. Para contornar esta situação, o Brave disponibilizou recentemente a sua versão premium para computadores, que elimina totalmente este tipo de funcionalidades, mas exige o pagamento de uma subscrição, excepto para utilizadores do sistema operativo Linux.
DuckDuckGo regista um aumento expressivo de tráfego
O descontentamento com a Google teve um impacto directo e imediato no DuckDuckGo. Como avança o site HotHardware, as visitas à página dedicada de pesquisa sem inteligência artificial do DuckDuckGo mais do que triplicaram nos dias que se seguiram aos anúncios da Google, mantendo-se num nível cerca de 84% acima do normal. Além disso, a plataforma registou um salto de 30% nas instalações nos Estados Unidos da América.
Para capitalizar esta migração repentina, o DuckDuckGo começou a destacar as suas extensões dedicadas para os browsers Chrome e Firefox. Estas ferramentas configuram o browser para utilizar uma versão específica do motor de busca que filtra imagens geradas por algoritmos e remove por completo os resumos conversacionais, garantindo uma lista de resultados limpa e directa. A empresa planeia expandir esta opção para as suas extensões no Edge e no Opera.
Como desactivar as funcionalidades no telemóvel
Para os utilizadores que preferem navegar através de dispositivos móveis, o DuckDuckGo oferece a possibilidade de desligar qualquer vestígio de inteligência artificial na sua aplicação para iOS e Android. O processo é simples, mas requer que o utilizador siga alguns passos específicos para garantir uma experiência totalmente limpa:
Primeiro, é necessário abrir a aplicação do DuckDuckGo e tocar no menu de três linhas, localizado no canto superior direito nos dispositivos Android ou no canto inferior direito nos equipamentos iOS.
De seguida, o utilizador deve aceder ao ícone da roda dentada das Definições, deslizar o ecrã até encontrar a secção de Outras Definições e seleccionar a opção de Funcionalidades de IA.
Por fim, basta desativar completamente o assistente Duck.ai e configurar a aplicação para abrir sempre com a interface de pesquisa tradicional, garantindo que o ecrã de inteligência artificial nunca surge por predefinição.
O desafio da retenção e o modelo de negócio
Apesar do entusiasmo actual, o ecossistema de ferramentas livres de inteligência artificial ainda se encontra fragmentado. Os utilizadores vêem-se obrigados a combinar diferentes soluções, como usar o Vivaldi para navegar e o DuckDuckGo para pesquisar. Além disso, o DuckDuckGo enfrenta o desafio de provar que a sua indexação básica é suficientemente fiável para reter os novos utilizadores, uma vez que ainda depende dos resultados do Microsoft Bing, um ecossistema que também está obcecado com a integração de modelos de linguagem.
Ao contrário da Google, que continua a expandir a recolha de dados através dos seus novos produtos, o motor de busca e o browser do DuckDuckGo são gratuitos e sustentam-se através da apresentação de anúncios privados associados às palavras-chave pesquisadas, sem rastrear os utilizadores pela web. Para quem procura uma camada extra de segurança, a empresa disponibiliza ainda uma rede privada virtual (VPN) paga, que encripta a ligação e mantém o tráfego confidencial, especialmente útil em redes Wi-Fi públicas.