O Papa Leão XIV publicou a sua primeira encíclica, focada nos desafios da Inteligência Artificial (IA). O documento de 83 páginas, intitulado “Magnifica Humanitas”, avisa que a IA corre o risco de agravar as desigualdades, de enfraquecer a democracia e de subverter a própria essência humana.
O apelo ao desarmamento da tecnologia
O líder da Igreja Católica compara a IA a uma nova revolução industrial. Como avança o site Religion News Service, o Papa faz um apelo directo para “desarmar a IA”, o que significa retirá-la dos interesses militares e económicos. O objectivo não é renunciar à tecnologia, mas sim impedir que esta domine a humanidade. O documento defende que apenas regular não é suficiente; a tecnologia tem de ser acessível e acolhedora para todos.
O Papa Leão XIV também aponta o dedo às grandes empresas tecnológicas (Big Tech). O texto sublinha o perigo de um pequeno grupo de indivíduos ricos influenciar o futuro, o que aumenta o fosso entre quem tem acesso à revolução digital e quem fica à margem. A IA tende a amplificar o poder de quem já possui recursos económicos e acesso a dados.
A presença da Anthropic e o impacto social
A apresentação no Vaticano teve a presença de Chris Olah, co-fundador da Anthropic. Olah admitiu que o desenvolvimento da IA opera sob incentivos que podem entrar em conflito com o que é correcto, devido a pressões comerciais e geopolíticas.
O Papa alertou ainda para a era dos chatbots. O risco é que as pessoas percam a vontade de procurar outros seres humanos. A proliferação de vozes e interacções sintéticas é cada vez mais comum. Para o Sumo Pontífice, delegar decisões nas máquinas pode enfraquecer o julgamento pessoal e a criatividade.
Ética desde a concepção
O Papa reconhece o impacto positivo da inovação, mas lembra que a tecnologia nunca é neutra. A aplicação de princípios éticos não pode acontecer apenas depois de os danos estarem feitos na sociedade. Os valores morais têm de ser aplicados logo na construção dos modelos, antes mesmo de chegarem ao utilizador final através de um simples browser ou de uma aplicação móvel.
À medida que a IA se infiltra no nosso dia-a-dia, desde os telemóveis até aos relógios inteligentes, a responsabilidade tem de estar claramente definida em todas as fases de desenvolvimento, para garantir que a tecnologia serve o bem comum.