A empresa responsável pelo popular e controverso Flipper Zero está a trabalhar num novo projecto de hardware. Segundo o site TechSpot, o novo dispositivo multiferramentas vai incluir todas as funcionalidades de segurança do modelo anterior, ao mesmo tempo que expande significativamente as suas capacidades com uma abordagem dedicada à computação portátil.
Depois de virar do avesso as convenções de segurança com o Flipper Zero, a Flipper Devices está a desenvolver mais um projecto que pode ter um impacto profundo na área da segurança e da computação personalizada. A empresa fundada por Alex Kulagin e Pavel Zhovner planeia criar uma espécie de “cyberdeck”, embora deva manter a mesma mascote de golfinho cibernético do dispositivo original.
Um mini-PC Linux de bolso
O Flipper One é um esforço impulsionado pela comunidade, focado em criar uma miniferramenta baseada em Linux. O dispositivo vai funcionar essencialmente como um mini-PC, com o seu próprio sistema operativo, convenções de firmware e uma loja de aplicações para personalizar as suas características e capacidades operacionais.
A Flipper Devices está a construir o Flipper One de forma aberta e ainda se encontra a finalizar muitas das especificações. Numa entrevista recente ao site Gizmodo, Zhovner anunciou algumas das características básicas escolhidas como fundação do projecto. O equipamento vai utilizar um processador Rockchip RK3576 SoC, que alegadamente consegue oferecer um desempenho de CPU multi-core superior ao do famoso computador de placa única Raspberry Pi 5.26
Hardware focado nas comunicações
O foco principal do Flipper One serão as redes e as comunicações baseadas em IP. Por este motivo, o dispositivo vai suportar uma vasta gama de normas sem fios e com fios. Entre as especificações já conhecidas, destacam-se as ligações Ethernet tradicionais para redes cabeadas, a integração da mais recente norma Wi-Fi 6E para ligações sem fios de alta velocidade e ainda conectividade 5G, garantida através da inclusão de um eSIM ou de uma porta para cartões SIM físicos.
Além das capacidades de rede, o design do hardware deve incluir um módulo M.2 para garantir um desempenho de armazenamento rápido e uma ranhura de expansão PCIe adicional, pensada para estender ainda mais a funcionalidade do aparelho consoante as necessidades do utilizador.
Filosofia aberta e lançamento
Zhovner explicou que a sua equipa quer criar um dispositivo capaz de servir tanto os entusiastas de segurança informática como as pessoas curiosas sobre o que um verdadeiro computador pode fazer num formato portátil. Os controlos de navegação principais incluem uma interface D-pad básica e vários botões programáveis, detalhes que a equipa ainda está a afinar.
A visão de Zhovner sobre os computadores remonta a uma era em que era possível comprar um PC novo, arrancar para o DOS e começar a explorar o sistema de forma directa, muito antes de dependermos de um browser para quase todas as tarefas diárias. O CEO da Flipper referiu que, desde o início do seu percurso, conseguia perceber como o sistema de arranque funcionava, lamentando que hoje todas as empresas criem a sua própria lógica que fica absolutamente bloqueada ao fabricante.
Resta saber se o Flipper One terá o mesmo destino do Flipper Zero, que acabou banido em algumas partes do mundo por ser uma opção popular para testar redes sem fios ou clonar cartões RFID. Zhovner planeia vender o novo dispositivo por 350 dólares (cerca de 325 euros) e espera abrir uma campanha de financiamento colectivo no Kickstarter no final deste ano.