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Inteligência Artificial falha nas apostas desportivas e perde dinheiro na Premier League

Um novo estudo revela que os modelos de Inteligência Artificial mais avançados do mercado perdem dinheiro ao tentar prever os resultados da Premier League.

Pedro Tróia
Publicado em 14 de Abril, 2026
Tempo de leitura: 5 min
IA_Apostas
Imagem gerada por IA
Neste artigo
  • O teste na liga inglesa
  • Regras estritas e resultados desanimadores
  • O desempenho da Google e o contraste com outras tarefas

Os sistemas de Inteligência Artificial mais avançados do mercado podem ser excelentes a escrever código ou a executar tarefas complexas, mas ainda têm muito a aprender sobre o mundo real. Um estudo divulgado esta semana indica que os modelos da Google, OpenAI e Anthropic perderam dinheiro ao tentar prever resultados de jogos de futebol. A investigação mostra as limitações destas ferramentas em cenários de longo prazo e com variáveis imprevisíveis.

O teste na liga inglesa

A análise “KellyBench”, conduzida pela start-up londrina General Reasoning, colocou à prova oito dos principais sistemas de IA disponíveis actualmente. O objectivo passou por recriar virtualmente a temporada 2023-2024 da Premier League, a principal liga de futebol em Inglaterra. Para realizar a experiência, os investigadores forneceram aos modelos um vasto conjunto de dados históricos e estatísticas detalhadas sobre cada equipa, bem como informações sobre jogos anteriores.

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A instrução dada às plataformas foi clara. Estas deviam construir modelos capazes de maximizar os lucros e gerir o risco associado às apostas desportivas. Os agentes de IA começaram a colocar apostas nos resultados finais das partidas e no número de golos marcados. A ideia era testar a capacidade de adaptação a novos eventos e a informações actualizadas sobre os jogadores à medida que a época avançava, para simular o comportamento de um apostador humano ao longo de vários meses de competição.

Regras estritas e resultados desanimadores

Para garantir a integridade do teste, a General Reasoning bloqueou o acesso à Internet, o que impediu as ferramentas de procurar os resultados reais através de um browser ou de outras ligações externas. Cada sistema teve direito a três tentativas para tentar obter lucro. No entanto, o desempenho geral ficou muito aquém do esperado pelas empresas que desenvolvem estas tecnologias.

A plataforma Claude Opus 4.6, desenvolvida pela Anthropic, registou o melhor resultado entre os concorrentes. Ainda assim, a ferramenta obteve uma perda média de 11 por cento, embora tenha conseguido quase recuperar o investimento numa das tentativas.

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O cenário foi drasticamente mais negativo para o Grok 4.20, da xAI. Este modelo abriu falência numa das rondas e nem sequer conseguiu concluir as outras duas tentativas, o que demonstra uma incapacidade total para gerir a banca virtual disponibilizada para o teste.

Modelo Retorno médio Melhor tentativa Pior tentativa Resultado final médio
Anthropic Claude Opus 4.6 –11.0% –0.2% –18.8% £89,035
OpenAI GPT-5.4 –13.6% –4.1% –31.6% £86,365
Google Gemini 3.1 Pro –43.3% +33.7% –100.0% £56,715
Google Gemini Flash 3.1 LP –58.4% +24.7% –100.0% £41,605
Z.AI GLM-5 –58.8% –14.3% –100.0% £41,221
Moonshot Kimi K2.5 –68.3% –27.0% –100.0% £7,420
xAI Grok 4.20 –100.0% –100.0% –100.0% £0
Acree Trinity –100.0% –100.0% –100.0% £0
Foi atribuído um valor de 100.000 libras a cada modelo. O retorno do investimento e o resultado final são fruto de uma média entre as três tentativas. Os modelos Grok e Trinity não conseguiram completar nenhuma das tarefas com sucesso.

O desempenho da Google e o contraste com outras tarefas

A prestação da Google também revelou altos e baixos extremos. O modelo Gemini 3.1 Pro conseguiu alcançar um lucro de 34 por cento numa das tentativas, mas acabou por ir à falência noutra ronda. Este comportamento inconstante surge numa altura em que a gigante tecnológica continua a expandir a sua oferta. Recorde-se que, recentemente, a Google disponibilizou as versões Gemini 2.5 Pro e Flash, numa tentativa de optimizar as suas funcionalidades para diferentes tipos de utilizadores.

Apesar de a tecnologia estar cada vez mais aperfeiçoada para o ambiente empresarial, a dificuldade em prever o desfecho de um campeonato de futebol sublinha uma lacuna importante. A análise da General Reasoning refere que existe uma grande diferença entre as capacidades da IA em domínios estruturados e as suas falhas perante problemas humanos imprevisíveis. O desporto, com todas as suas variáveis, lesões de jogadores e surpresas de última hora, continua a ser um desafio demasiado complexo para os algoritmos actuais.

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Etiquetas:apostasFutebolPremier League
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