A Sony Interactive Entertainment parece estar a preparar um recuo estratégico na sua presença no mercado dos videojogos para computadores pessoais. Depois de anos a investir na transposição dos seus maiores sucessos da PlayStation para o PC, a empresa japonesa terá decidido rever as suas prioridades. Segundo fontes próximas da indústria, o foco voltará a recair quase exclusivamente no hardware e no ecossistema fechado das consolas, deixando os jogadores de PC com menos opções no futuro imediato.
Prioridades em mutação
A informação, avançada pelo conhecido “insider” NateTheHate2 ma rede social X e a corroborar relatos anteriores do jornalista Jason Schreier, indica que a Sony mudou de rumo discretamente durante o ano de 2025. Esta alteração de estratégia traduz-se numa redução drástica do número de títulos “first-party” focados em experiências para um só jogador a chegar ao Steam e à Epic Games Store. Embora isto não signifique o abandono total da plataforma, a Sony deixa de ver estas conversões como uma prioridade máxima ou como um motor de receita indispensável para o seu crescimento.
Vários projectos que já se encontram em fase de desenvolvimento devem ainda chegar ao mercado, mas os planos para futuras conversões desceram vários degraus na lista de tarefas da gigante nipónica. A ideia de que o PC seria uma extensão natural da marca PlayStation parece estar a perder força perante a necessidade de proteger o valor da consola.
O peso das vendas
Os dados da plataforma Steam ajudam a explicar esta tomada de decisão. Apesar de alguns sucessos assinaláveis, os números de jogadores em simultâneo mostram uma tendência de queda em lançamentos recentes. Ghost of Tsushima, adaptado pela Nixxes Software, continua a ser um dos pontos altos com um pico de 77 mil jogadores. No entanto, outros títulos de peso não conseguiram manter o mesmo fôlego.
Marvel’s Spider-Man Remastered atingiu os 66 mil utilizadores, mas a sequela registou números inferiores. Mais preocupantes para a Sony foram os desempenhos de Horizon Forbidden West e The Last of Us Part II Remastered, que ficaram pelos 40 mil e 30 mil jogadores, respectivamente. Para uma empresa que mede o sucesso não apenas em vendas directas, mas também no envolvimento dos utilizadores, estes valores podem não justificar o investimento e o esforço técnico exigidos por cada conversão.
Protecção do hardware
A estratégia de lançar jogos no PC com um atraso considerável em relação à consola pode ter acabado por prejudicar o entusiasmo dos utilizadores. Ao chegarem tarde, estes títulos enfrentam a concorrência de promoções agressivas nas consolas e de catálogos cada vez mais extensos. A Sony parece agora acreditar que manter os seus grandes trunfos, como God of War ou Horizon, presos ao hardware da PlayStation 5 é a melhor forma de garantir a venda de consolas.
Esta postura contrasta fortemente com a da Microsoft. Enquanto a Xbox abraçou um modelo multiplataforma onde o software é distribuído de forma abrangente, a Sony prefere continuar a apostar no modelo tradicional de exclusividade. O objectivo passa por forçar os jogadores a entrar no universo PlayStation Network, onde a rentabilidade a longo prazo é mais elevada.
O caso Death Stranding 2
Ainda que o cenário seja de recuo, o calendário de 2026 ainda reserva algumas novidades. Death Stranding 2: On the Beach tem lançamento previsto para o PC a 19 de Março, cerca de nove meses após a estreia na PlayStation 5. Contudo, este título é uma produção da Kojima Productions e não de um estúdio interno da Sony, o que lhe dá uma liberdade diferente.
Apesar do forte interesse demonstrado pelos utilizadores no Steam, este lançamento isolado não deverá alterar a nova política interna da Sony. A empresa está a preparar-se para um futuro onde o PC volta a ser um mercado secundário, servindo apenas para escoar títulos muito específicos ou projectos que já tenham cumprido o seu ciclo de vida útil nas consolas.