Depois da chegada dos smartphones dobráveis, ainda não tinha havido um conceito que pudéssemos dizer ser realmente ‘novo’ neste mercado. As câmaras melhoram todos os anos, os ecrãs também, os equipamentos começam a ser mais finos, mas faltava sempre aquela novidade que nos levasse a ver um terminal como algo de realmente distinto.
O Robot Phone, que a Honor já tinha mostrado (ainda que de forma tímida, em alguns eventos), e que agora faz a sua primeira grande aparição mundial no MWC, em Barcelona, pode ter aquele ‘factor wow’ que o torna um smartphone capaz de fazer virar pescoços.
Com um braço robótico integrado na traseira, este modelo tem uma câmara na extremidade que lembra a do DJI Osmo Pocket, até porque assenta num conceito de gimbal. Com um sensor de 200 MP, estabilização de três eixos, AI Object Tracking e Super Steady Video, esta não é, contudo, uma câmara qualquer.
Nas demonstrações da Honor que temos vindo a acompanhar no Mobile World Congress 2026, vimos alguns casos em que a visão por inteligência artificial da câmara do Robot Phone avalia a forma como estamos vestidos, identifica o que nos rodeia e até serve de confidente amoroso.
Mais que um exercício tecnológico, este conceito (que se vai tornar num modelo comercial, que deve chegar às lojas no final de 2026, provavelmente com disponibilidade limitada à China e com um preço que deve rondar os 2500 euros) levanta uma questão relevante: o que muda quando o smartphone deixa de ser estático? Estas são as nossas cinco ideias sobre aquilo que o Robot Phone pode ser, com base no que fomos vendo nos últimos dias.
Videochamadas dinâmicas
O Robot Phone consegue seguir-nos em tempo real e vai ajustando o enquadramento. Em vez de ficarmos presos a um ângulo fixo, a câmara acompanha-nos, reage a movimentos “prende-nos” no ecrã com o foco automático inteligente. O telefone deixa de ser um objecto pousado numa mesa, apoiado numa base, e passa a comportar-se como um operador de câmara autónomo.
Criação de conteúdos (ainda) mais profissionais
Com a estabilização integrada do gimbal, rotações inteligentes de 90 e 180 graus (AI SpinShot) e o seguimento automático de sujeitos (como referimos acima), o Robot Phone aproxima-se muito das câmaras de acção ou de rigs mais profissionais.
Criadores de conteúdo, vloggers ou jornalistas ficam com um smartphone capaz de acompanhar a acção e garantir uma estabilidade/flexibilidade que hoje ainda obriga a usar uma câmara dedicada ou um gimbal externo.
Interacção emocional com o smartphone
Sempre que falamos numa relação entre uma pessoa e uma IA, lembramo-nos sempre do filme ‘Her’, em que a personagem de Joaquin Phoenix se apaixona pelo seu sistema operativo do seu computador e telemóvel, com a voz de Scarlett Johansson.
Aqui, mais que uma voz, temos o movimento da câmara que emula movimentos orgânicos: a Honor fala em «linguagem corporal», na medida em que o Robot Phone nos pode devolver acenos afirmativos ou negativos e, até, movimentos ao ritmo da música. Pode parecer lúdico, mas, como em ‘Her’, a ideia vai além disso: dar uma expressão física a um simples telemóvel.
Este tipo de interacção pode abrir caminho a interfaces mais humanas, sobretudo em contextos de assistência digital, educação ou apoio a utilizadores seniores, onde gestos e movimento reforçam a comunicação e humanizam a tecnologia. Pode ser o primeiro passo antes de termos um robot humamoide em casa para auxiliar em várias tarefas diárias.
Inversão das tendências: adeus, smartphones finos
Integrar um «micromotor ultracompacto» e um sistema gimbal 4DoF obrigou a Honor a repensar as ideias de ‘espaço’, ‘resistência’ e ‘peso’. Aqui, não é seguido o conceito de ter um modelo leve e fino, dado que a função obrigou a repensar a forma. Mais: no futuro, não é difícil imaginar módulos adicionais para dar mais capacidades a este braço com câmara.
Experiências mais imersivas para os utilizadores
Com um sensor de 200 MP, estabilização avançada e tracking inteligente, o Robot Phone não se parece limitar a captar momentos: vai ser um companheiro para criar narrativas. A capacidade de ajustar perspectiva em tempo real, reagir ao ambiente e ao que lhe mostramos/dizemos, dá-nos um telemóvel com uma consciência visual e sonora muito próxima da humana. O smartphone passa, assim, a ser um parceiro activo na construção da nossa memória digital.