Durante a conferência GTC 2026, a Nvidia revelou a próxima grande iteração da sua tecnologia gráfica. O director executivo da empresa, Jensen Huang, subiu ao palco para mostrar o DLSS 5, um avanço que o próprio descreve como o “momento GPT” para os gráficos de computador. Esta nova versão abandona o foco exclusivo no aumento de resolução e na geração de fotogramas para abraçar um modelo de renderizado neuronal em tempo real, com o objectivo de aproximar os videojogos da qualidade visual do cinema.
O salto para a renderização neuronal
Ao contrário das versões anteriores, o DLSS 5 não se limita a interpolar imagens. A tecnologia usa os vectores de cor e movimento de cada fotograma para alimentar um modelo de inteligência artificial capaz de injectar iluminação e materiais fotorrealistas nas cenas. A Nvidia garante que o sistema consegue compreender a semântica complexa de um ambiente virtual, desde a dispersão de luz na pele translúcida até ao brilho delicado dos tecidos e à interacção da luz com o cabelo das personagens. Tudo isto acontece em tempo real, com suporte para resoluções até 4K. A promessa da fabricante passa por entregar uma fidelidade visual que, até agora, estava reservada apenas para as equipas de efeitos visuais de Hollywood. O sistema integra também suporte para tecnologias anteriores, a trabalhar em conjunto com o traçado de raios para garantir que as sombras e os reflexos atingem um nível de realismo inédito. Além disso, a marca destaca a consistência temporal da ferramenta, desenhada para evitar instabilidade visual entre fotogramas consecutivos.
A polémica do filtro de inteligência artificial
Apesar do entusiasmo da Nvidia, a recepção por parte da comunidade de jogadores foi mista. Poucas horas após a apresentação, as redes sociais encheram-se de críticas, com muitos utilizadores a apelidar a tecnologia de ‘AI Slop’ ou um filtro de imagem gerado por IA. A principal queixa prende-se com a alteração drástica da visão artística original dos criadores. As demonstrações em jogos como Resident Evil Requiem e Starfield serviram de catalisador para o descontentamento. No caso do título da Capcom, a personagem Grace Ashcroft surgiu no ecrã com feições substancialmente alteradas, a exibir o que parecia ser maquilhagem adicionada, sombras nos olhos e lábios mais preenchidos. Para muitos fãs, o resultado assemelha-se a um filtro de beleza de aplicações de telemóvel, que homogeneíza os rostos e retira a identidade visual pensada pelos artistas. Em Starfield, as faces das personagens também sofreram modificações que as empurraram para um nível de realismo artificial que causa desconforto visual a muitos jogadores.
Controlo nas mãos dos estúdios
Face às críticas, a Nvidia apressou-se a esclarecer que o DLSS 5 não é um simples filtro sobreposto à imagem. A empresa sublinha que a tecnologia respeita a intenção original dos artistas, a ancorar o resultado final aos dados 3D do motor de jogo. Para garantir este equilíbrio, os programadores recebem controlos detalhados sobre a intensidade do efeito, a gradação de cores e a possibilidade de criar máscaras para excluir objectos ou áreas específicas da intervenção da inteligência artificial. Vários estúdios de renome já manifestaram o seu apoio. Todd Howard, da Bethesda, elogiou a forma como a tecnologia deu vida aos ambientes de Starfield, embora a empresa tenha clarificado mais tarde que os artistas vão continuar a ajustar a iluminação para manter a estética do jogo. Por seu turno, Jun Takeuchi, da Capcom, destacou o potencial do sistema para aumentar a imersão atmosférica no universo de Resident Evil.
Exigências de hardware e lançamento
Um dos pontos que mais dúvidas levantou durante a apresentação foi o hardware necessário para executar tarefas tão pesadas. A demonstração oficial correu num computador equipado com duas placas gráficas RTX 5090. Uma das placas ficou responsável por renderizar o jogo, enquanto a segunda foi dedicada em exclusivo a processar o modelo do DLSS 5. No entanto, a Nvidia assegura que a versão final, com lançamento previsto para o outono de 2026, vai estar optimizada para funcionar numa única placa gráfica da série RTX 50. Fica por esclarecer se as gerações anteriores de hardware vão receber algum tipo de suporte ou se a novidade será um exclusivo da nova arquitectura. A lista de jogos confirmados para a estreia da tecnologia é extensa e conta com o apoio de grandes empresas da indústria, como a Ubisoft, a Warner Bros e a Tencent. Títulos como Assassin’s Creed Shadows, Hogwarts Legacy, Delta Force, The Elder Scrolls IV Oblivion Remastered e Phantom Blade Zero estão entre os primeiros a tirar partido deste modelo visual melhorado. Resta agora aguardar para ver se a versão final consegue convencer os jogadores mais cépticos e provar que a inteligência artificial pode elevar os gráficos sem destruir a identidade das obras.