A Microsoft parece estar disposta a ouvir as queixas dos seus utilizadores. Depois de vários anos a forçar o início de sessão com uma conta da empresa durante a configuração inicial do Windows, a obrigatoriedade pode estar prestes a chegar ao fim. A informação surge num momento em que a gigante tecnológica tenta recuperar a confiança dos consumidores através de várias alterações de fundo aos seus produtos.
Recentemente, a empresa anunciou um conjunto de modificações importantes. De facto, a Microsoft prepara «grande actualização» do Windows 11 focada em desempenho e em dar mais controlo aos utilizadores, o que inclui a possibilidade de mover a barra de tarefas e actualizações menos intrusivas. No entanto, a exigência de uma conta online mantinha-se inalterada, algo que sempre gerou descontentamento.
A frustração partilhada pelos próprios engenheiros
A esperança de uma mudança radical surgiu através das redes sociais. Um dos vice-presidentes da Microsoft, Scott Hanselman, respondeu directamente a um utilizador na plataforma X sobre este tema. Quando questionado sobre a possibilidade de remover a exigência de contas da Microsoft durante a configuração inicial do Windows 11, o executivo foi peremptório.
Hanselman afirmou que também detesta essa obrigatoriedade e garantiu que está a trabalhar para resolver a situação. Esta declaração pública de um alto cargo da empresa, que ajuda a desenvolver melhorias para o sistema, mostra que a insatisfação não se limita aos consumidores finais, mas estende-se aos próprios criadores do software.
Ya I hate that. Working on it
— Scott Hanselman 🌮 (@shanselman) March 20, 2026
O que significa esta declaração para os utilizadores
Apesar do entusiasmo gerado pela resposta do executivo, é importante manter as expectativas controladas. O facto de um engenheiro estar a tentar alterar esta funcionalidade não garante uma modificação imediata. A decisão final dependerá sempre da aprovação das chefias máximas da empresa, que até agora têm mantido a estratégia de forçar a ligação aos serviços na nuvem.
Ainda assim, a interacção demonstra uma mudança de postura. A empresa quer mostrar que está atenta ao feedback da comunidade. Esta atitude de abertura alinha-se com outras decisões recentes, numa altura em que a Microsoft está a repensar a estratégia de implementação de IA no Windows 11, numa tentativa de encontrar um equilíbrio entre a inovação tecnológica e o respeito pelas preferências de quem utiliza os seus produtos diariamente.
Alternativas actuais para contornar a exigência
Muitos utilizadores e até pequenas empresas preferem configurar os seus computadores de forma offline, optando por criar apenas um perfil local. Os motivos variam desde preocupações com a privacidade até à simples necessidade de instalar o sistema operativo em locais sem acesso à Internet para executar tarefas específicas de forma isolada.
Enquanto a Microsoft não disponibiliza uma opção oficial e simples para saltar este passo, a comunidade continua a recorrer a métodos alternativos. Actualmente, quem deseja evitar a conta obrigatória tem de utilizar truques específicos durante a instalação, como a introdução do comando “OOBE\bypassnro” no terminal. Outra solução popular passa por usar ferramentas de terceiros, como o Rufus, que permitem criar suportes de instalação já com as restrições desactivadas.
Resta agora aguardar para ver se as promessas de Scott Hanselman se materializam numa futura actualização do Windows 11, para devolver finalmente a liberdade de escolha a quem compra um novo computador ou formata a sua máquina.