A Revolut divulgou o seu quarto ‘Relatório de Segurança do Consumidor e Crime Financeiro’, que identifica uma alteração significativa nas tácticas dos burlões em Portugal e no resto do mundo.
O Telegram surge como a plataforma com o «crescimento mais acentuado» nos Pagamentos Autorizados em Tempo Real, com um aumento de 233%. Embora as plataformas da Meta continuem a concentrar 44% das burlas reportadas pelos clientes do banco, o recurso crescente a aplicações de mensagens privadas «confirma a migração do crime para ambientes encriptados e menos escrutinados».
Segundo a Revolut, o Telegram representa agora «21% das burlas», tornando-se responsável por «um quinto» dos casos analisados. «A natureza encriptada da plataforma, frequentemente promovida como garantia de segurança, é explorada para operar fora do radar e escalar esquemas complexos», diz a fintech. Em Portugal, 25% das burlas tiveram origem no Telegram.
Ainda assim, a Meta mantém a liderança pelo «quarto período consecutivo», enquanto o TikTok regista uma «aceleração relevante»: o volume de fraudes iniciadas nesta aplicação é «seis vezes superior» ao do mesmo período do ano anterior.
Embora as burlas de compras continuam a ser o «tipo mais comum», 2025 ficou marcado por um «crescimento expressivo» das burlas de emprego, que quase «triplicaram» face ao ano anterior e representam agora «22% dos casos globais». No mercado nacional, as burlas de compras representam «53% dos casos», mantendo-se como principal ameaça em volume.
O relatório da Revolut enquadra, ainda, estes dados num contexto mais amplo. Um estudo da Juniper Research indica que, só em 2025, as plataformas de redes sociais «geraram cerca de 4,4 mil milhões de euros em receitas provenientes de anúncios fraudulentos dirigidos a utilizadores europeus».
Em Portugal, apesar do domínio das burlas de compras, são as imobiliárias que causam maiores prejuízos: as vítimas perderam, em média, «2665,32 euros por pessoa», face aos «388,36 euros» registados nas burlas de compras.