A OpenClaw, anteriormente conhecida pelos nomes Moltbot e Clawdbot, anunciou uma parceria estratégica com o VirusTotal, plataforma que pertence à Google, para analisar todas as skills submetidas ao ClawHub. Esta medida surge como uma resposta directa à crescente preocupação com a segurança no ecossistema de agentes de inteligência artificial, após a descoberta de centenas de extensões maliciosas que punham em risco a privacidade dos utilizadores.
Controlo de ameaças
A nova camada de protecção utiliza o analisador de ameaças do VirusTotal para validar cada ficheiro que entra no mercado oficial da OpenClaw. O processo técnico é minucioso: o sistema cria uma assinatura digital única, denominada hash SHA-256, para cada “skill” e cruza essa informação com a vasta base de dados do VirusTotal. Caso não exista um registo prévio, o software é enviado para uma análise profunda através da ferramenta Code Insight.
Esta funcionalidade, que recorre a modelos de linguagem avançados, permite detectar intenções maliciosas escondidas no código que, muitas vezes, escapam aos métodos de detecção tradicionais. As extensões que recebem um veredicto de “benigno” são aprovadas de forma automática para publicação. Por outro lado, as que apresentam comportamentos suspeitos recebem um aviso de segurança, enquanto as ameaças confirmadas acabam bloqueadas de imediato, o que impede o seu descarregamento por parte da comunidade.
O perigo dos agentes autónomos
A necessidade para esta vigilância apertada justifica-se pelo histórico recente da plataforma. Diversas análises revelaram que muitas ferramentas no ClawHub fingem ser utilitários legítimos, mas escondem funções para roubar dados sensíveis ou instalar “backdoors” que permitem o acesso remoto. A Cisco alertou recentemente para o facto de os agentes de IA, ao terem acesso directo aos sistemas operativos, poderem transformar-se em canais invisíveis de fuga de informação que contornam as defesas convencionais.
Ao contrário do software tradicional, que executa apenas o que está escrito no código, estes agentes interpretam linguagem natural para tomar decisões. Esta característica torna-os vulneráveis à manipulação através de texto, um fenómeno conhecido como injecção de “prompts”. A equipa da Backslash Security descreve mesmo a OpenClaw como uma “IA com mãos”, dada a sua capacidade para interagir com serviços online, gerir finanças e até controlar dispositivos domésticos inteligentes.
Riscos para o sector empresarial
A popularidade explosiva da OpenClaw trouxe novos desafios para a segurança informática nas empresas. Muitos funcionários instalam estas ferramentas de automação nos seus postos de trabalho sem a devida autorização dos departamentos de TI, o que cria um cenário de “Shadow AI”. Como estes agentes têm privilégios elevados para realizar tarefas complexas, um ataque bem-sucedido pode resultar na execução de comandos não autorizados ou no envio de mensagens fraudulentas em nome da vítima.
Peter Steinberger, fundador da OpenClaw, admite que a verificação do VirusTotal não é uma solução infalível contra todos os perigos. Existe sempre a possibilidade de uma carga maliciosa bem camuflada conseguir ultrapassar os filtros iniciais. Por esse motivo, a plataforma prepara-se para publicar um modelo de ameaças detalhado e um roteiro público de segurança, além de submeter todo o seu código a uma auditoria independente para garantir a máxima transparência.
Transparência e futuro da plataforma
Além das verificações automáticas, a OpenClaw implementou um sistema que permite aos utilizadores registados denunciar extensões suspeitas. Esta abordagem híbrida tenta acompanhar a evolução rápida das tácticas dos cibercriminosos. Para assegurar que uma ferramenta segura não se torna perigosa após uma actualização, a plataforma realiza agora varrimentos diários a todo o catálogo activo no ClawHub.
A empresa reforça que a conveniência destas integrações não pode comprometer a integridade dos dados. Com a introdução de processos formais de reporte de vulnerabilidades, a OpenClaw espera transformar o seu ecossistema num ambiente mais resiliente, protegendo tanto o utilizador doméstico como as infraestruturas empresariais contra a próxima geração de ameaças digitais.