A Anthropic acaba de baralhar novamente as contas no mercado da inteligência artificial generativa com o lançamento do Claude Sonnet 4.6. Este novo modelo, que se posiciona como a opção intermédia da tecnológica, chega com a promessa de democratizar o acesso a funcionalidades que, até agora, estavam reservadas apenas aos modelos de topo ou a subscrições de custo elevado. Ao substituir a versão anterior como o modelo padrão tanto para utilizadores gratuitos como para subscritores do plano Pro, a Anthropic sinaliza uma mudança de estratégia: a acessibilidade é agora a arma principal para combater o domínio do ChatGPT da OpenAI e do Gemini da Google.
O lançamento, ocorrido a 17 de Fevereiro, surge num ritmo frenético de actualizações, escassos dez dias após a apresentação do modelo topo de gama Claude Opus 4.6. No entanto, é o Sonnet 4.6 que promete ter o maior impacto no quotidiano dos utilizadores e programadores, ao oferecer um desempenho que, em muitos cenários reais de escritório e programação, consegue igualar o desempenho da linhagem Opus, mas com uma velocidade e eficiência de custos significativamente superiores.
A democratização da inteligência artificial avançada
A grande novidade para o utilizador comum é a integração automática deste modelo nas contas gratuitas. A Anthropic decidiu que o Sonnet 4.6 passa a ser o “cavalo de batalha” da sua oferta, o que significa que milhões de pessoas passam a ter acesso a capacidades de raciocínio lógico e execução de tarefas sem terem de abrir os cordões à bolsa. Esta transição reflecte uma tendência crescente no sector, onde as funcionalidades premium acabam por chegar aos patamares inferiores à medida que a tecnologia amadurece.
Para quem utiliza a IA para analisar documentos extensos ou para ajudar na escrita de textos complexos, a melhoria na consistência e no seguimento de instruções é notória. A empresa afirma que o modelo está a demonstrar uma capacidade superior a evitar a redundância e a manter a lógica em diálogos longos, algo que era uma crítica recorrente em versões anteriores.
Uma janela de contexto sem precedentes
Um dos pontos mais impressionantes desta actualização é a expansão da janela de contexto para um milhão de tokens. Para se ter uma noção da escala, a versão 4.5 oferecia “apenas” 200 mil tokens. Este salto permite que o Claude Sonnet 4.6 consiga processar e analisar dezenas de artigos científicos, livros inteiros ou bases de código completas numa única interacção.
Contudo, existe um detalhe importante a ter em conta: esta capacidade massiva está, por agora, em fase beta e disponível exclusivamente através da API da Anthropic. Os utilizadores que acedem através da interface web ou das aplicações móveis continuam a ter limites mais contidos, embora a empresa planeie expandir este acesso de forma gradual. Para os programadores, esta janela de um milhão de tokens é um divisor de águas, pois permite a análise de repositórios inteiros de software para identificar erros ou sugerir melhorias estruturais sem perder o fio à meada.
O computador passa a estar ao serviço da IA
A Anthropic continua a apostar forte na funcionalidade de “Computer Use”, que permite à inteligência artificial interagir directamente com o sistema operativo. O Sonnet 4.6 obteve uma pontuação de 72,5% no benchmark OSWorld-Verified, um teste que avalia a precisão da IA a utilizar aplicações reais como o Google Chrome ou o LibreOffice.
Esta capacidade permite que o utilizador peça ao Claude para realizar tarefas que envolvem clicar, escrever e navegar entre diferentes janelas para concluir um fluxo de trabalho. Embora a empresa admita que o sistema ainda não é infalível e que os utilizadores devem verificar os resultados em tarefas críticas, a evolução na precisão é evidente. O objectivo é transformar a IA de um simples assistente de chat num agente capaz de executar trabalho real no ambiente de trabalho do utilizador.
Aliança estratégica com o GitHub Copilot
A Microsoft não perdeu tempo e anunciou a integração imediata do Claude Sonnet 4.6 no GitHub Copilot. Isto ocorre menos de duas semanas após a inclusão do GPT-5.3-Codex da OpenAI na mesma plataforma, o que demonstra a vontade da Microsoft em oferecer aos programadores a liberdade de escolher o melhor “cérebro” para cada tarefa específica.
O novo modelo da Anthropic destaca-se em tarefas de codificação “agêntica” e operações de pesquisa complexas dentro de grandes bases de dados. A integração abrange o VS Code, o Visual Studio, a aplicação móvel e até a linha de comandos (CLI). Para as empresas, o controlo permanece rigoroso: os administradores de sistemas precisam de activar manualmente a política de utilização do Sonnet 4.6 nas definições do Copilot, garantindo que a conformidade e a segurança dos dados são mantidas.
Menos alucinações e mais segurança
A fiabilidade é um dos pilares desta nova versão. Segundo os testes internos da Anthropic, os utilizadores do Claude Code preferiram o Sonnet 4.6 em relação ao seu antecessor em 70% das vezes. Mais surpreendente ainda é o facto de o modelo ter sido preferido face ao topo de gama Opus 4.5 em 59% dos casos de teste. Isto deve-se a uma redução drástica nas chamadas “alucinações” e a uma menor tendência para o excesso de engenharia nas soluções propostas.
No campo da segurança, o Sonnet 4.6 recebeu reforços na resistência a ataques de “prompt injection”, atingindo níveis de protecção semelhantes aos do modelo Opus 4.6. A Anthropic mantém o preço da API inalterado face à versão 4.5 — três dólares por cada milhão de tokens de entrada e 15 dólares por cada milhão de tokens de saída — o que torna a transição para o novo modelo uma decisão lógica e economicamente viável para as empresas que já utilizam a plataforma.
Com este lançamento, a Anthropic não está apenas a actualizar um produto; está a tentar definir o novo padrão de produtividade para o ano de 2025, provando que nem sempre é necessário o modelo mais caro para obter os melhores resultados no mundo real.