A Xiaomi está prestes a expandir o seu já vasto ecossistema de produtos com a chegada de uma nova categoria: os localizadores inteligentes. De acordo com informações extraídas de ficheiros internos do sistema operativo HyperOS, a tecnológica chinesa está a desenvolver o Xiaomi Tag, um dispositivo de localização de objectos concebido para competir directamente com o AirTag da Apple e o Galaxy SmartTag da Samsung. O lançamento, embora ainda não confirmado oficialmente pela marca, parece estar iminente e promete agitar o mercado Android com uma proposta de alta precisão e preço competitivo.
Duas variantes e tecnologia de ultra-precisão
As fugas de informação, inicialmente partilhadas pelo conhecido entusiasta de tecnologia Kacper Skrzypek, revelam que a Xiaomi não se limitará a um modelo básico. O Xiaomi Tag deverá chegar ao mercado em duas versões distintas para responder a diferentes necessidades e orçamentos.
A versão topo de gama incluirá conectividade Ultra-Wideband (UWB), uma tecnologia de rádio de curto alcance que permite uma localização espacial extremamente precisa. Ao contrário do Bluetooth convencional, o UWB permite que o telemóvel indique ao utilizador a direcção exacta e a distância (em centímetros) até ao objecto, algo fundamental para encontrar chaves ou carteiras perdidas no interior de habitações. A segunda variante, mais económica, contará apenas com conectividade Bluetooth, focando-se em alertas de proximidade e na última localização registada no mapa.
How will #XiaomiTag look? That’s what I found in #HyperOS code!
– Similar to Galaxy SmartTag 2
– 2 models: one with UWB, one without
– CR2032 battery, same as in Samsung
– looks like China only for now? (or CN app has only Chinese entries? We will see…) pic.twitter.com/KT3ayFXhs4
— Kacper Skrzypek 🇵🇱 (@kacskrz) January 23, 2026
Design funcional e autonomia simplificada
No que diz respeito à estética e construção, o Xiaomi Tag parece seguir as pisadas da concorrência mais recente. As referências no código do HyperOS apontam para um design ovalado e discreto, muito semelhante ao aspecto do Samsung Galaxy SmartTag 2. Esta escolha de design sugere um foco na ergonomia, facilitando a colocação do dispositivo em porta-chaves ou no interior de malas.
Um dos pontos mais positivos para o utilizador final é a gestão da energia. A Xiaomi optou pela utilização de uma pilha CR2032, o padrão para este tipo de dispositivos. Isto significa que o utilizador poderá substituir a bateria de forma autónoma e simples, sem necessidade de recorrer a serviços técnicos ou de descartar o dispositivo quando a energia se esgota, garantindo uma longevidade considerável ao produto.
O trunfo da rede “Encontrar o meu Dispositivo” da Google
A eficácia de um localizador inteligente depende inteiramente da rede de dispositivos que o rodeia. Neste campo, a Xiaomi jogará uma cartada decisiva ao integrar o Xiaomi Tag no ecossistema “Encontrar o meu Dispositivo” (Find My Device) da Google.
Esta integração permite que o localizador seja detectado de forma anónima por milhões de dispositivos Android em todo o mundo. Assim, mesmo que o utilizador perca um objecto a quilómetros de distância, a rede global da Google poderá actualizar a sua localização de forma segura. Esta estratégia coloca a Xiaomi numa posição de vantagem face a outros fabricantes que tentam criar redes próprias e fechadas, menos eficazes fora de grandes centros urbanos.
Privacidade, preço e disponibilidade
A experiência de utilização foi desenhada para ser intuitiva. O emparelhamento será feito por proximidade — bastando retirar a etiqueta de activação da pilha para que o telemóvel detecte o novo acessório. No campo da privacidade, o software permitirá configurar “zonas seguras” ou excepções para pessoas de confiança, evitando alertas indesejados de anti-stalking, uma preocupação crescente neste segmento.
Quanto ao mercado, existe ainda alguma incerteza. Embora as referências no HyperOS sugiram um lançamento inicial exclusivo para a China, é expectável que o Xiaomi Tag chegue aos mercados internacionais, incluindo Portugal, pouco tempo depois. Estima-se que o preço da versão base ronde os 25 dólares (aproximadamente 23 euros), o que posicionaria o Xiaomi Tag como uma das opções com melhor relação qualidade-preço do mercado, especialmente quando comparado com os cerca de 35 a 39 euros pedidos pela concorrência directa.