Descarregava músicas no início dos anos 2000? Se sim, é muito provável que se recorde do LimeWire!
O serviço de partilha de ficheiros peer-to-peer – um rival direto do ainda mais famoso Napster – dominou o mercado dos downloads no formato MP3, tendo alcançado os 50 milhões de utilizadores em todo o mundo. No entanto, após uma gigantesca batalha legal, o Tribunal Federal dos EUA decretou o encerramento do website.
Treze anos volvidos, o LimeWire está de volta! O serviço foi ressuscitado como um serviço Web3 no blockchain com uma nova oferta assente em tokens disponível para utilizadores online.
O que é Web3?
Web3 é um termo genérico para descrever a próxima fase da internet que deve proporcionar uma versão mais aberta e descentralizada da web. Assenta na tecnologia blockchain que permite transações seguras ponto a ponto e partilha de dados sem intermediários.
Longe de ser uma versão futurista da web, a tecnologia Web3 já está presente nos nossos dias. O financiamento descentralizado (DeFi) envolve a criação de aplicações financeiros descentralizadas que permitem aos utilizadores emprestar, receber empréstimo e negociar sem a intervenção de empresas terceiras. Nos jogos, o Web3 alimenta plataformas de jogos descentralizadas e mundos virtuais que permitem aos jogadores ganhar criptomoedas mediante o seu desempenho no jogo. A Ruby Play, por exemplo, oferece tokens aos jogadores sempre que estes jogam um dos seus jogos de casino online, independentemente do resultado que os jogadores venham a obter no jogo.
Com uma gama tão ampla de setores online abertos à Web3 agora, não é surpresa que empresas de partilha de ficheiros, como o LimeWire, tenham decidido entrar em ação. A nova versão finalmente foi revelada, mas será significativamente diferente da versão que possa se recordar.
O novo aspeto do LimeWire
A mudança mais significativa do novo LimeWire será, provavelmente, o seu renascimento como um mercado NFT e uma plataforma para assinantes, também vocacionada para criadores de conteúdo, artistas e marcas.
Os direitos da marca foram adquiridos pelos irmãos austríacos Julian e Paul Zehetmayr, que observaram o potencial da cultura NFT (Non Fungible Token) durante o boom inicial das NFT. O novo LimeWire visa fornecer uma plataforma e uma estrutura para associação direta de fãs e, desta forma, ajudar os criadores de conteúdo a criar fluxos de receita recorrentes, ao mesmo tempo que oferece aos fãs acesso a recursos exclusivos e comunidades privadas.
O lançamento do LimeWire em meados de 2022 como um mercado para comprar, vender e trocar colecionáveis digitais, evoluiu para uma plataforma de associação completa. A plataforma torna o conteúdo e os ativos exclusivos próprios e negociáveis através da tecnologia blockchain, permitindo que os fãs participem diretamente do sucesso dos criadores que apoiam.
O token LMWR
A nova plataforma não seria Web3 sem um token personalizado! Para o LimeWire, os irmãos Zehetmayr optaram por focar menos nas NFTs e focar mais nas criptomoedas, disponibilizando um token de comunidade que financiaria a nova plataforma LimeWire e atuaria como a força vital do ecossistema.
O token LMWR é um token ERC-20 baseado em Ethereum, projetado para beneficiar os detentores e, ao mesmo tempo, aprimorar a experiência do utilizador em toda a plataforma. A venda pública do LMWR, lançado em 2 de maio de 2023, disseminou mil milhões de tokens para membros da comunidade Web3 e investidores em geral. O token terá, provavelmente, valor e importância em todas as ações e iniciativas do LimeWire no futuro, especialmente na relação entre artistas e fãs.
Investir no LMWR, à medida que este se torna negociável em várias bolsas de criptomoedas, pode ser uma opção para os entusiastas que desejam fazer parte do círculo interno de participantes do LimeWire sustentado na tecnologia blockchain. No entanto, os mais céticos quanto ao ressurgimento de outra marca na Web3 podem preferir a estratégia cripto clássica: esperar e observar.
Napster: o velho e o novo rival?
O LimeWire não é a única empresa do género a entrar na Web3: o seu antigo rival, Napster, foi notícia recentemente ao apresentar um plano semelhante.
Em 2020, a startup de partilha de ficheiros foi comprada pela empresa de realidade virtual MelodyVR e, posteriormente em 2023, adquirida novamente pela Hivemind and Algorand. A empresa, sediada em Nova Iorque, está estabelecida no espaço criptográfico e comprou o Napster com a intenção de trazer a marca para a Web3. A empresa publicou um Litepaper onde descreveu os seus planos para aplicar a tecnologia Web3 aos seus negócios existentes e a milhões de utilizadores, a fim de melhorar a forma como os criadores de música, detentores de direitos e fãs podem interagir. O Napster ficará amplamente envolvido na Web3 e, tal como o LimeWire, emitirá tokens $NAPSTER na blockchain, segundo anunciou a Napster Innovation Foundation.
Emmy Lovell, o CEO interino do Napster, disse numa entrevista que a tecnologia blockchain faz sentido no imediato para a indústria da música e que a Web3 proporciona uma oportunidade de aprofundar, expandir e melhorar o ecossistema da música.
Se tudo correr com planeado e traçado por ambas as empresas, poderemos ter os dois «gigantes do MP3» de volta no formato Web3 em pouco tempo, pois a mudança digital ajuda empresas da velha guarda a voltar à ribalta.
