What’s the Matter?

O futuro do Matter é risonho, no propósito de estabelecer um standard universal, simples e descentralizado de controlo das nossas casas.

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Finalmente, vemos a luz inteligente ao fundo do túnel na unificação dos sistemas de automação em casa. O protocolo Matter 1.0 foi oficialmente fechado, num surpreendente acordo entre todos os fabricantes evolvidos. Isto é um feito notável porque, infelizmente, é raro ver acordos colaborativos que envolvam tecnológicas como a Samsung, Google, Amazon, Apple e Ikea, entre mais de quinhentas empresas de referência, a trabalhar, simultaneamente, num mesmo standard.

A CSA está de parabéns por conseguir, finalmente, este consenso sobre um standard universal para a automação em casa. Confesso que tinha pouca esperança de algum dia ser possível atingir um acordo entre todas estas empresas, especialmente num campo onde os fabricantes sempre lutaram para assegurar patentes, que se traduzem em custos, perdas de liberdade e funcionalidades para o consumidor final. Estas baixas expectativas apoiam-se em coisas tão simples como o facto de a porta que usamos para ligar e carregar dispositivos electrónicos ainda não ser universal. Aliás, o USB só dará justiça ao seu nome para lá de 2026, algo que, infelizmente, só vai ser atingido à força da lei europeia e da sua preocupação relativamente ao desperdício.

O passado da automação em casa mostra-nos inúmeras oportunidades desperdiçadas por marcas como a Insteon – de um dia para o outro, deixaram de dar apoio aos seus produtos e serviços baseados na nuvem, tornando todos os seus equipamentos instantaneamente inutilizáveis.

No presente, é de louvar o enorme esforço de comunidades de entusiastas que, com projectos como o openHAB e Home Assistant, se predispuseram à tarefa herculaniana de integrar, numa plataforma, dispositivos de diferentes origens e ecossistemas que, só por si, seriam incapazes de interagir entre eles, permitindo um deslumbre que é a actual promessa do Matter. Mas, infelizmente, muitas das vezes, estas soluções colaborativas, pela sua complexidade, obrigam a algum esforço de configuração e manutenção que ainda não está ao alcance de todos.

O futuro do Matter é risonho, no propósito de estabelecer um standard universal, simples e descentralizado de controlo das nossas casas: é um grande passo na direcção correcta, ao definir o funcionamento de várias categorias de dispositivos-base tão diversas como iluminação, climatização, tomadas e interruptores. Contudo, ainda existem, à nossa volta, categorias mais complexas de dispositivos eléctricos e electrónicos que precisam do trabalho desta aliança para beneficiarem da integração no ecossistema Matter.