A subsistência da humanidade aos olhos de inteligências artificiais

Quando confrontados com situações de escassez foi-nos reconhecida a capacidade de avançar em três frentes essenciais: desenvolvimento da capacidade de recolha, criação de alternativas e aumento da eficiência de utilização do recurso em causa.

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As alterações climáticas, o escalar dos conflitos internacionais e a forma insustentável com que consumimos os recursos naturais criam cenários dramáticos do ponto de vista do indivíduo. Mas, para uma inteligência artificial que vê a humanidade como um todo indiferenciado, tudo parece bem encaminhado para a nossa subsistência.

Fiquei realmente surpreendido com o optimismo da maioria dos prognósticos provenientes do “livre-arbítrio” de distintas inteligências artificiais, quando analisam potenciais cenários sobre o futuro da humanidade, após terem sido “alimentadas” pelas mais completas bases de dados e estatísticas da nossa vida e evolução, como espécie.

Uma análise externa com a frieza de um cérebro binário olha o formigueiro sem prestar relevância à formiga. Nesta análise, saem destacados factos que nos passam muitas vezes desapercebidos, devido à nossa natural empatia sobre o sofrimento alheio. Um bom exemplo disso é o facto de mesmo as maiores catástrofes do passado terem conseguido matar pouco mais de 10% da população mundial, isto incluindo todo o tipo de calamidades naturais, pandemias e até guerras mundiais. Esta é uma demonstração de que, apesar do sofrimento de inúmeros indivíduos, a resiliência característica da nossa espécie garante, não só a sua subsistência, mas em grande parte, também, a sua cadência de evolução.

Quando confrontados com situações de escassez foi-nos reconhecida a capacidade de avançar em três frentes essenciais: desenvolvimento da capacidade de recolha, criação de alternativas e aumento da eficiência de utilização do recurso em causa.

Substanciada pelas referências históricas da evolução humana (marcada por inúmeros avanços e retrocessos civilizacionais) no pensamento das máquinas, a escala temporal da evolução humana é tão curta e frenética, que muitos dos pilares da civilização que já estabelecemos prevêem-se capazes de subsistir mesmo em futuros cenários extremos, onde se calcularia uma perda de 99% da população humana.

Na abstração extrema de um pensamento mecânico, tudo o que nos diferencia na diversidade do que constituí um indivíduo não é relevante. À semelhança de um simples sistema digital de armazenamento de dados, somos uma espécie com uma enorme redundância nas nossas capacidades como elementos e dispomos de bons sistemas de recuperação de dados externas na forma de computadores, livros, gravações e outro tipo de registos resilientes.