A borboleta bateu as asas e voou

Não faltam exemplos de problemas não reconhecidos ao longo da história industrial da maçã.

Haverá, presumo que para sempre, aspectos da produção industrial que nunca perceberemos, enquanto comuns mortais. Produtos que os fabricantes lançam, que se revelam problemáticos com o passar do tempo, com problemas que não são reconhecidos de imediato ou após terminadas as respectivas garantias.

A Apple é especialista em situações deste género: durante anos, encolhe os ombros a vagas de queixas de consumidores, para depois de anos de frustração e impropérios por parte destes, acabar por lançar programas de recall ou, como foi o caso recente, acabar por pagar indemnizações em class-actions nos EUA. Este tipo de protestos legais contra um fabricante não são muito comuns na Europa. Mais dispersos, em territórios com quotas de mercado menos significativas e com menor capacidade de pressão sobre o construtor, estes acontecimentos são menos significativos. Recentemente, a Apple concordou em despejar cinquenta milhões de dólares para compensar o conhecido problema dos teclados com mecanismo de borboleta, um sistema que a Apple passou a utilizar em MacBook entre 2015 e 2019. Com centenas e centenas de queixas de teclas que deixavam de operar correctamente, com activação de garantias enquanto estas vigoravam, muitos utilizadores deixaram de poder utilizar convenientemente os seus portáteis porque uma (ou mais) teclas deixaram de responder à função pretendida.

Obviamente, o fabricante honrou o período de garantia sempre que se justificava, ou passou a pedir uma pequena fortuna pela substituição do teclado integral, teclado esse que não é apenas um teclado: implica, por um método de construção que dificilmente entenderei sem recorrer a substâncias mais ou menos ilícitas, trocar também a “tampa” superior do teclado onde este está inserido. É muito dinheiro em logística, tempo, frustração, horas de imobilização de equipamentos.

Obviamente, há nestas coisas um factor de risco quando um construtor decide investir em tecnologias novas que se vêm a revelar desastrosas a médio e longo prazo. Que não custam apenas dólares ou euros, custam muitas vezes a perda do próprio cliente para todo o sempre. Não faltam exemplos de problemas não reconhecidos ao longo da história industrial da maçã.