Pela primeira vez, a Fundação Champalimaud fez uma operação a uma paciente com cancro da mama com recurso ao 5G

Em Lisboa, Pedro Gouveia usou uns Hololens, da Microsoft; em Saragoça, Rogelio Andrés-Luna deu assistência com um laptop ligado uma rede 5G da Altice.
©Helena Costa
©Helena Costa / Altice Portugal

O 5G e a realidade aumentada foram usados, pela primeira vez na Fundação Champalimaud, para ajudar dois cirurgiões a operar uma paciente com cancro da mama.

Pedro Gouveia e Rogelio Andrés-Luna foram os protagonistas desta experiência, em paralelo com a Altice, que forneceu a rede 5G para esta operação, que teve assistência remota.

O 5G foi usado para permitir uma comunicação rápida («sem que existisse um desfasamento temporal, ou seja, latência») entre os dois cirurgiões: enquanto Pedro Gouveia estava no bloco operatório da Fundação Champalimaud, em Lisboa, Rogelio Andrés-Luna acompanhou e deu indicações à distância a partir de Saragoça (Espanha).

Em Lisboa, Pedro Gouveia usou uns óculos de realidade virtual/aumentada Hololens, da Microsoft; na capital espanhola, Rogelio Andrés-Luna deu assistência com um laptop ligado ao dispositivo de RA do cirurgião nacional.

©Altice Portugal
©Altice Portugal | Rogelio Andrés-Luna acompanhou a cirurgia a partir de Saragoça com recurso a um laptop ligado a uma rede 5G.

«Rogelio Andrés-Luna pôde ver (quase) exactamente o que Pedro Gouveia estava a fazer num preciso instante e até conseguiu visualizar, sobreposto ao corpo da doente e desenhado em tempo real por Rogelio Andrés-Luna no seu laptop, um traço azul que lhe indicou o local escolhido para fazer a incisão inicial», exemplifica a Fundação Champalimaud.

Segundo, Pedro Gouveia, esta foi a «primeira experiência no mundo de utilização, ao vivo e em directo, daquilo a que se dá o nome de ‘remote proctoring’ [supervisão remota], durante uma cirurgia de cancro da mama».

No futuro, o cirurgião português quer usar mais esta tecnologia, e não só em contexto de bloco operatório: um dos cenários é permitir que os estudantes de cirurgia assistam «remotamente a intervenções cirúrgicas, como parte da sua aprendizagem» como se estivessem no local

Pedro Gouveia assume que este modelo de cirurgia com recurso a realidade aumentada e assistência remota ainda está no princípio – é preciso «validar metodologias, fazer mais cirurgias, identificar obstáculos, optimizar os óculos de realidade aumentada» – embora seja um passo importante em direcção à visão que tem do bloco operatório do futuro: uma «sala multimédia».