Alternativas open source ao Office

Embora o Microsoft Office seja a escolha mais popular para uso doméstico, existe uma procura crescente de alternativas livres. Neste artigo vamos apresentar três para explorar e usar.

O Microsoft Office tem permanecido líder incontestável quando a escolha é uma suite de produtividade, porque oferece aplicações integradas de processamento de texto, folhas de cálculo, apresentações, gestão de bases de dados, correio electrónico e muitos mais. Actualmente, uma seita destas é todo um ecossistema montado com ferramentas que podem ser usadas de forma transversal em vários dispositivos. Mas, como o leitor sabe, é sempre possível adquirir licenças Microsoft Office apenas para as três principais ferramentas ( Work, Excel e Power Point): é nesse sentido que existe uma procura acentuada, que resulta de uma utilização global do sistema operativo da Microsoft e de um marketing fortíssimo que dura há anos, tornando quase impossível escapar à sua utilização. Quem usa outros sistemas operativos, acaba por adquirir licenças do Office ou usar alternativas. O Linux veio contribuir muito, não só para o desenvolvimento dessas ferramentas, mas também para uma maior adopção das mesmas.

A escolha importa
Qual é o uso que vai dar ao Office? É importante saber a resposta a esta pergunta, porque a compra de uma licença talvez não justifique, para o uso que dará. Mesmo na escolha de uma alternativa é bom ter em conta como ficará a formatação dos documentos depois de os partilhar com outras pessoas, mesmo em diferentes dispositivos, porque pode causar problemas com quem utiliza software diferente, em especial ficheiros do Office da Microsoft. Por isso, é importante assegurar que a formatação seja mantida com precisão. Além disso, também é necessário perguntar que tipo de software de produtividade é realmente necessário, se apenas para uso local, ou partilha de documentos em vários dispositivos e pessoas diferentes. Assim, é importante verificar aquilo de que precisa e avaliar isto em relação ao que o software oferece. Com esta ideia em mente, apresentamos três alternativas de código aberto.

OnlyOffice
O OnlyOffice começou com um grupo de criadores de software que lançou um projecto denominado TeamLab, uma plataforma de colaboração interna de equipas. Em Julho de 2014, o Teamlab Office foi oficialmente renomeado para OnlyOffice e o código fonte publicado no Sourceforge e no GitHub.

Desde então, o OnlyOffice apresenta várias soluções para realidades diferentes, desenvolvidas pela Ascensio System SIA, com uma solução SaaS ou então a possibilidade de instalação numa rede privada, dividido em vários módulos: Documentos, CRM, Projectos, Correio, Comunidade, Calendário e chat. Para uso domésticos, a versão Editores inclui características semelhantes ao Microsoft Office (Word, Excel e PowerPoint), com um visual muito atractivo e actual. A compatibilidade com ficheiros criados em Microsoft Office é notável, em especial na formatação após uma importação.

LibreOffice
O LibreOffice é um derivado do OpenOffice e utiliza o formato internacional ISO/IEC Open Document File (ODF) para guardar documentos. Também é compatível com os formatos de ficheiro do Microsoft Office, através de uma variedade de filtros de importação/exportação, mas apresenta ainda alguma dificuldade no que diz respeito à formatação dos documentos. Esta suite está disponível para Microsoft Windows, macOS, Linux e utiliza uma licença dupla LGPLv3 (ou posterior) / MPL 2.0 para novas contribuições, de modo a que que a licença seja actualizada. Também é possível usar mais de 320 extensões e scripts de terceiros que podem ser escritos em C++, Java, CLI, Python, e LibreOffice Basic. O LibreOffice Basic é uma linguagem de programação semelhante à Microsoft Visual Basic (VBA) e está disponível em Writer, Calc e Base. É utilizado para escrever pequenos programas conhecidos como macros, com cada macro a executar uma tarefa diferente, como a contagem das palavras de um parágrafo.

O LibreOffice tem as mesmas seis aplicações do Apache OpenOffice: Writer, Calc, Impress, Draw, Base e Math. Também para utilizadores do sistema operativo Windows, existe uma versão portátil completa do LibreOffice com todas as seis ferramentas, que pode ser descarregada em portableapps.com.

Calligra Suite
O primeiro lançamento oficial da suite KOffice foi a 23 de Outubro de 2000, como parte do K Desktop Environment 2.0. Contudo, em meados de 2010, a comunidade KOffice dividiu-se em duas comunidades separadas, KOffice e Calligra, sendo esta última a que permanece e que continua a ser desenvolvida. É uma suite de Office, que além dos três programas básicos (documentos, folha de calculo e apresentações), tem um gestor de projetos (Plan) e um software de desenho vectorial (Karbon). A Calligra não tem o mesmo ritmo de desenvolvimento como acontece com as outras sugestões que demos: é mais limitada, tem foco em utilizadores Linux e funciona melhor em ambiente KDE Plasma.

Conclusão
No mundo ideal, todos os software de escritório teriam uma extensão-padrão, evitando problemas de compatibilidades e formatações. Mas, como isso não acontece, e sendo o Microsoft Office o mais usado, cabe às alternativas conseguir atrair público, resolvendo os problemas que os mais usados não querem fazer. Para uso doméstico, o OnlyOffice (versão editores) é a solução que, na minha opinião, é a mais equilibrada, visualmente agradável e compatível com ficheiro do Microsoft Office. Já o LibreOffice tem um maior leque de soluções, opções e tem mais tempo de existência. Para um público mais purista, a Calligra será a escolha acertada, especialmente para usar em sistem