Xiaomi utiliza designação HDMI 2.1 no seu novo monitor de gaming que é, tecnicamente, HDMI 2.0

O novo monitor de gaming da Xiaomi, é anunciado como tendo duas ligações HDMI 2.1, mas no fundo as tecnologias usadas são da anterior norma HDMI 2.0.

A Xiaomi é um fabricante que tem um impressionante histórico em lançar produtos de grande qualidade e boas características técnicas a um excelente preço. E esta afirmação é válida para vários segmentos de mercado, incluindo os monitores, algo que comprovámos anteriormente com a análise do Xiaomi Mi Curved Gaming Monitor. Porém, com o lançamento do novo Xiaomi Fast LCD Monitor, a Xiaomi pode ter-se “esticado”.

O Xiaomi Fast LCD Monitor é um novo monitor de 24.5 polegadas, de resolução 1080p, capaz de trabalhar com uma taxa de actualização de 240 Hz e 1 ms de tempo de resposta, sendo igualmente compatível com a tecnologia AMD FreeSync Premium e VESA DisplayHDR 400, o que o torna ideal para adeptos de videojogos. O problema está com o facto de a Xiaomi anunciar que este monitor utiliza uma ligação DisplayPort 1.2 e duas ligações HDMI 2.1.

Ora, tendo em conta as características anunciadas do monitor, se este utiliza o protocolo TMDS (Transition Minimised Differential Signalling), significa que está limitado a uma largura de banda de 18 Gbps e a 8-bit de cor de imagem, ou seja é, na realidade, um monitor HDMI 2.0.

Para um monitor, ou qualquer outro dispositivo, ser compatível com a norma HDMI 2.1, é essencial a utilização do protocolo FRL (Fixed Rate Link), que garante uma largura de banda de 48 Gbps, 10-bit de cor, Digital Stream Compression v1.2, VRR (Variable Refresh Rate – taxa de actualização variável) e ALLM (Auto Low Latency Mode), que permite ajustar a latência do ecrã automaticamente quando começar a jogar.

Como pode ver pela tabela de características divulgada pela administração de licenciamento da norma HDMI, existem várias características que são essenciais para um equipamento ser considerado como compatível com a norma HDMI 2.1, mas aparentemente, quando questionados pela página TFT Central, estes afirmaram que afinal não há qualquer problema a Xiaomi em usar a designação HDMI 2.1 no seu monitor:

1) A norma HDMI 2.0 já não existe, logo os dispositivos já não precisam de referir serem compatíveis com a norma v2.0

2) As funcionalidades do HDMI 2.0 são agora sub-funcionalidades da norma v2.1

3) Todas as novas capacidades e funcionalidades associadas ao HDMI 2.1 são opcionais (isto incluí o protocolo FRL, maior largura de banda, VRR, ALLM e tudo o resto)

4) Se um dispositivo anunciar compatibilidade com a norma v2.1, este apenas precisa de dizer que funcionalidades suporta, para evitar “confusões”

No fundo, foi isso mesmo que a Xiaomi fez, ou seja, tecnicamente não estão a enganar ninguém. O problema é mesmo da Administração de licenciamento da norma HDMI que, simplesmente, desistiu de fazer o que lhe compete, de monitorizar e validar quem faz o quê, limitando-se assim a receber dos fabricantes os royalties pela utilização da norma e das patentes. O problema, neste tipo de circunstâncias, é que será o consumidor quem será facilmente confundido…