Cinco navegadores de código aberto

Todos os computadores, smartphones e tablets com acesso à Internet incluem um navegador-padrão que a maioria dos utilizadores acaba usar. Neste artigo vamos mostrar a importância da sua escolha e sugerir cinco navegadores de código aberto.

Joana Afonso

Nos anos noventa, o Netscape era a porta de entrada para navegar na ‘lentinha’ Internet a 56 kbps. Nesta altura, pouco importavam questões como a segurança e a privacidade, porque as alternativas eram poucas. Mesmo depois, com o desenvolvimento do Internet Explorer e do Firefox, o propósito era entrar neste novo mundo, que ainda estava a dar os primeiros passos, para uso dos comuns mortais.

Actualmente, os navegadores continuam a ter o mesmo objectivo e são massivamente usados. A diferença está na velocidade, na quantidade de informação pessoal que circula na Internet, deixando registos e criando padrões de comportamento que são explorados por terceiros. Por isso, hoje em dia, a escolha de um navegador é muito importante, porque será nele que iremos deixar, ou não, as nossas ‘pegadas’ virtuais. Na nossa opinião, a escolha mais inteligente é de um browser de código aberto.

Os navegadores mais usados
Se fizer uma pesquisa rápida na Internet, encontra várias estatísticas dos navegadores mais usados, com a maioria a apresentar números muito semelhantes. Por exemplo, em Portugal, as preferências vão para Chrome, Safari, Edge e Firefox. Não é difícil perceber estes dados, porque os sistemas operativos dos smartphones mais vendidos a nível mundial são o Android e o iOS, ambos com o Chrome e o Safari instalados por definição.

Em computadores, o sistema operativo mais usado é o Windows, com o seu navegador-padrão Edge, sobrando apenas browsers proprietários de várias marcas, como Samsung ou Xiaomi, e alternativas de open source, como o Firefox. Serão os mais usados a melhor escolha? Vamos falar de algumas sugestões de código aberto.

Firefox
Tem sido o mais usado pela maioria dos utilizadores de sistemas Linux e uma alternativa aos navegadores como base em Chromium. É aquele que se tem mantido há mais tempo no mercado, levando em conta a privacidade e segurança dos utilizadores. Tem uma boa e grande comunidade e, no geral, a Mozilla têm introduzido melhorias todos os anos. Não é um navegador rápido, se compararmos com o Chrome ou outras alternativas proprietárias, mas tem características como o pocket, uma loja com vários plugins e extensões, as opções de personalização, sendo mais seguro e com boas opções de privacidade.
Pontos fortes: comunidade, apoio técnico.

Brave
Este navegador foi desenvolvido em 2019, tem como foco a privacidade e é baseado no Chromium. Por padrão, inclui o bloqueio automático de publicidade e de monitorização de sites visitados. Tem uma loja própria com plugins e extensões mas ainda não tão completa como a do Firefox. É mais rápido que o browser da Mozilla, porque têm base Chromium e usa o protocolo IPFS (InterPlanetary File System), desenvolvido para criar uma rede descentralizada, tornando a Internet mais livre, rápida e disponibilizando conteúdo bloqueado devido a censura, como por exemplo na China.

O Brave tem várias características diferenciadoras como o Brave Talk (videochamadas sem limites apenas com duas pessoas); na versão Premium, oferece alguns extras como gravação, mais de cem pessoas ligadas e o motor de busca Brave, ainda em fase beta.
Pontos fortes: rapidez, privacidade.

Chromium
É a versão de código aberto do Chrome, mais minimalista e rápida, sendo que um dos principais objetivos é ser um gestor de janelas com base em abas, acabando por ser a base para navegadores, como o Edge, o Opera e o Brave, entre outros.

Como grande parte do código-fonte é usado no Chrome, o Chromium recebe muitas actualizações, o que pode criar alguma instabilidade; mas, ao mesmo tempo, todas as novidades saem aqui primeiro.
Pontos fortes: minimalismo, leve.

Falkon
É um navegador desenvolvido pelo KDE, que tinha o nome de Qupzilla, bastante simples, com base em Chromium e que usa QT como base do desenvolvimento. O visual é dos anos 1990, com poucas opções de configuração, mas por isso muito simples de usar. Depois da instalação, tem onze extensões incluídas, mas apenas duas activas: integração com o ambiente gráfico KDE Plasma e o Adblock. Para instalar mais extensões, tem de ir a loja do KDE.

O Falkon precisa de um maior desenvolvimento para competir com os navegadores de que falamos aqui, porque a ultima actualização é de Março de 2019. A fluidez ainda não é a esperada e o visual precisa de ser trabalhado.
Pontos fortes: código aberto, minimalismo.

Waterfox
É um fork do Firefox, com foco no equilíbrio entre a privacidade e facilidade de uso, sem as questões de telemetria da Mozilla e de recolha de dados. É compatível com extensões e plugins dos navegadores Firefox, Chrome, Opera e vem com o Bing, como motor de busca padrão (acreditamos que isto seja por questões comerciais), mas dá facilmente para mudar.

De forma simples, é um ‘Firefox com esteróides’, porque é rápido, tem tudo o que o Firefox tem e que deixou de ter nas suas versões mais recentes, permite mais personalização que os outros navegadores que sugerimos e o apoio técnico tem sido bem mantido pela empresa System1 que comprou o navegador em 2019.
Pontos fortes: rapidez, privacidade e personalização.

Conclusão:
A escolha de um navegador vai depender não só do seu gosto, como do que considera mais importante. Contudo, sempre que possível, escolha soluções de código aberto.