Call of Duty Vanguard

Como transformar um jogo de tiros com pergaminhos numa versão barata de Inglourious Basterds - só que sem grande piada

O primeiro Call of Duty (CoD) saiu em 2003, dois anos depois do estrondoso êxito que foi Band of Brothers, a adaptação para TV do livro de Stephen Ambrose com o mesmo nome, que conta as aventuras dos soldados de uma companhia de pára-quedistas, desde o Dia D até à derrota do Terceiro Reich, em 1945.

Quase que o primeiro CoD se pode considerar o jogo oficial da série de TV, pela inclusão de vários episódios de combate que foram retratados em Band of Brothers. Um dos aspectos mais impressionantes do original foi a recriação muito realista da confusão que houve durante os primeiros momentos, quando os pára-quedistas são lançados por trás das linhas alemãs, em França.

Dezoito anos, e algumas dezenas de jogos depois, chega Call of Duty Vanguard, que marca o regresso da série à Segunda Guerra Mundial. Neste novo episódio, seguimos as histórias dos quatro heróis imaginários da Task Force Vanguard que, supostamente, são os melhores nas suas especialidades: Lucas Riggs, australiano e especialista em explosivos; Wade Jackson, piloto naval dos Estados Unidos; Polina Petrova, uma (inevitável) sniper russa; e Arthur Kingsley, pára-quedista inglês que e líder do grupo.

Até aqui tudo bem, é aceitável que haja alguma liberdade narrativa neste tipo de jogos, baseados em factor reais.

Vanguard está dividido em várias partes, ou actos, em que o jogador tem de participar em missões com cada uma das personagens, um bocado em jeito de flashbacks a recordar as situações que os juntaram. Depois, temos a missão principal: escapar de uma prisão em Berlim, nos últimos dias da guerra, e impedir a fuga de um general alemão (que estranhamente faz lembrar Red Skull, o inimigo do Capitão América, mas sem a caveira vermelha), que sonha criar o Quarto Reich, depois da queda de Hitler.

Os problemas começam na forma como a história se desenvolve. Tudo é previsível e vazio, não há nenhum twist ou alguma coisa que prenda o jogador. Parece que a Activision só meteu uma campanha para dizer que o jogo tinha uma e, assim, o interesse é pouco.

Mas há uma coisa que tem de ser dita: a produção não olhou a custos na criação das cenas e, muitas vezes, parece mesmo que estamos a ver um filme de tão bem feitas que estão as cutscenes. Tudo é realmente bom. Depois, voltamos à “acção”, mais propriamente ao tiro ao boneco – não me estou a referir à evidencia de CoD ser literalmente um jogo de tiro ao boneco, mas em Vanguard os soldados inimigos muitas vezes nem se mexem, não se escondem, ou se se escondem, segundos depois emergem mesmo a tempo para um headshot. Aliás, mais de 50% dos solados que eliminei foi com tiros na cabeça, só para mostrar o quão fácil é.

Mais para o fim do jogo aparecem uns novos soldados que dão um pouco mais de luta e que servem de “esponjas de balas”, para aumentar um bocadinho o nível de dificuldade, mas nem assim a coisa melhora. Pior: na a missão com Wade Jackson, que se passa na batalha de Midway, o sistema de controlo do avião é tão mau que nem sei como é que consegui passar aquilo. Enfim.

Valem os gráficos que realmente são fora de série e a única coisa que é realmente impressionante. O modo multiplayer tem os já habituais zombies e vinte mapas com os modos de jogo tradicionais, incluindo o novo Champion Hill composto por arenas em que o último sobrevivente ganha.


Editora: Activision

Distribuidora: Activision

Disponível para: PlayStation, Xbox, Windows

Preço: €75,99 (Consolas), €59,99 (PC)

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