The Ascent

A mecânica de jogo de Diablo encontra-se com o universo cyberpunk. O que pode correr mal?

Quem já viu Blade Runner, ou leu os livros de William Gibson, vai sentir-se em casa no universo de The Ascent. Neste jogo da Neon Giant para PC e Xbox, o jogador assume o papel de um mercenário (ou mercenária, se assim decidir) que trabalha para um mafioso que controla partes da arcologia de Veles. A megacorporação que a controla faliu e agora vemo-nos numa corrida para controlar a arcologia antes que seja tomada por outros bandidos ou empresas. A acção começa nos esgotos, mas à medida que vamos cumprindo missões e outras tarefas, subimos até ao topo da “cadeia alimentar”.

Pelo caminho, apanhamos armas, armaduras e modificações que permitem fazer mais coisas durante o combate. No final de cada missão principal encontra um boss que temos de eliminar para poder progredir.

Falei de armas e armaduras, e enquanto as primeiras podem ser melhoradas através de peças que encontramos pelo cenário, as segundas não podem ser alteradas, por isso temos de apanhar as que oferecem mais protecção à medida que progredimos.

Quanto aos mods, durante o jogo encontramos módulos para o corpo, que nos dão poderes como a possibilidade de evocar um robô que trata de apanhar o loot ou de fazer aparecer um robô armado que nos protege durante algum tempo, e melhoramentos para o cyberdeck (o seu computador pessoal), que permitem abrir portas e arcas que tenham as fechaduras protegidas com ICE (Intrusion Countermeasures Electronics).

Uma das coisas que mais me impressionaram neste jogo foi a atenção ao detalhe. O mundo da arcologia de Veles tem muitíssimo mais pormenor que o de Cyberpunk 2077. Esta comparação era inevitável. Podemos dizer que é muito mais complicado fazer um jogo como Cyberpunk que funciona na primeira pessoa que um jogo como The Ascent que foi feito para ser jogado com câmara flutuante, com vários ângulos: no entanto, se quiser dar uma vista de olhos a este vídeo que usa um mod para colocar a câmara do jogo numa configuração igual à de um jogo na primeira pessoa, verá que a quantidade de pormenor é simplesmente impressionante. A atmosfera é mesmo a de uma história passada num ambiente cyberpunk, cheio de neons, chuva e centenas de pessoas a tentarem viver as suas vidas nesse sítio.

Mas nem tudo são rosas. A primeira coisa que penso que merecia mais algum trabalho é o sistema de combate, uma emulação do mesmo usado em Diablo. Enquanto em Diablo este sistema funciona bem, porque se utilizam mais armas cortantes (ou feitiços que afectam toda uma área do ecrã), em The Ascent, tentar disparar uma metralhadora ou pistola contra um inimigo à distância e acertar-lhe, é algo bastante complicado. Outra coisa muito frustrante (que acontece frequentemente) é ficar preso no cenário quando nos tentamos esquivar dos ataques do inimigo. E, por fim, como The Ascent tem um alto grau de aleatoriedade, podem encontrar-se inimigos vários níveis acima do nosso em áreas que antes tinham inimigos que se conseguiam “despachar” facilmente. Até me aconteceu uma vez num confronto com um dos bosses no final de uma missão, aparecerem dois bosses iguais.


Editora: Neon Giant

Distribuidora: Neon Giant

Disponível para: Xbox, PC Windows

Preço: €23,99