Portugal quer juntar energia eólica e das ondas para criar um projecto híbrido offshore

Segundo o INESC TEC, a abordagem híbrida «criará um sistema de energia mais resiliente e estável, com maior capacidade de produção e a um custo mais baixo por MW/h».
©Shaun Dakin
©Shaun Dakin

Portugal e a Bélgica vão ser os dois países europeus a receber dois demonstradores da produção de energia verde offshore, ou seja, ao largo da costa, no mar.

Isto acontece no âmbito do projecto europeu EU-SCORES (European SCalable Offshore Renewable Energy Sources), no valor total de 45 milhões de euros – um dos objectivos é contribuir para cumprir o «objectivo da União Europeia de atingir zero emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050», lembra a INESC TEC, uma das instituições nacionais que fazem parte desta iniciativa, a par de EDP e WavEC.

Em Portugal, os dois pólos que servir para recolher dados sobre a produção de energia offshore híbrida são o parque eólico que fica ao largo de Viana do Castelo e o futuro de energia das ondas (com 1,2 MW, da empresa CorPower Ocean) em Aguçadoura, na Póvoa de Varzim.

No primeiro será ainda instalado um hub que vai permitir a ligação a um «novo parque de 10 MW de energia das ondas». Mas não é tudo: o projecto prevê ainda um «estudo de integração com uma produção de hidrogénio verde». A viabilidade desta “dupla” será «analisada do ponto de vista técnico e económico no decurso do projecto».

©INESC TEC | O futuro parque de energia das ondas em Agouçadora da CorPower Ocean terá uma capacidade de produção de 1,2 MW.

Segundo o INESC TEC, a abordagem híbrida «criará um sistema de energia mais resiliente e estável, com maior capacidade de produção e a um custo mais baixo por MW/h». Outra das vantagens está no facto de uma fonte poder «compensar a outra quando a produção de uma delas for insuficiente», lembra Bernardo Silva, investigador desta universidade.

Como é habitual neste tipo de projectos, o EU-SCORES terá ainda uma componente ambiental: EDP, INESC TEC e WavEC (que estão num lote de dezassete parceiros europeus) ficam responsáveis por fazer a «monitorização das estruturas e toda a biodiversidade marítima» para «determinar os impactos inerentes à instalação deste tipo de estruturas».

A definição de «estratégias de controlo para a operação e de gestão de activos para a operação optimizada dos parques híbridos» e a «simulação da participação deste tipo de parques em ambiente de mercado de energia eléctrica» também ficam a cargo deste trio de instituições e empresas nacionais.

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