IDINA. O projecto vencedor do Prémio IN3+ quer dar identificação a todas as pessoas do mundo

O IDINA tem como ponto de partida o facto de haver cerca de «mil milhões de pessoas em todo o mundo sem um documento legal de identificação».
©Jacek Dylag
©Jacek Dylag

O objectivo é dar acesso a um documento de identificação a «cidadãos de todo o mundo»: este é o projecto que está por trás do IDINA, o vencedor do Prémio IN3+ criado pela Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

Desenvolvido por investigadores do INESC TEC, o IDINA (Identidade Digital Inclusiva Não Autoritativa) ganhou 600 mil euros, uma soma que irá servir para «melhorar a solução e aplicá-la à escala real».

Esta ideia tem como ponto de partida o facto de haver cerca de «mil milhões de pessoas em todo o mundo sem um documento legal de identificação», lembram os responsáveis. Desta forma, estas pessoas ficam com acesso complicado a serviços essenciais de saúde e educação, o que pode ser resolvido com o IDINA.

Se alguma dia o IDINA chegar a ser posto em prática à escala mundial será possível criar uma «plataforma de identificação do cidadão eficaz e inclusiva, em países que não possuem sistemas centrais de identificação (infraestruturas de registo civil)»

De acordo com João Marco Silva, um dos investigadores que desenvolveu o IDINA, a ideia é «mapear relações de confiança sociais» para pôr em funcionamento «um sistema de identificação não legal, que permita que, por exemplo, representantes de escolas, de instituições de saúde, ou autoridades locais, possam atestar o nascimento dos cidadãos».

Investigadores querem «protótipos funcionais» até 2025

Uma questão sempre sensível nestes casos é a protecção de dados, que estará assegurada, garante o investigador: «Alguns dos desafios passam pela detecção de abusos e fraudes, privacidade e protecção de dados pessoais, e pelos mecanismos de integração e interoperabilidade com sistemas de informação eventualmente existentes, por exemplo de ONG ou do próprio Estado».

Para João Marco Silva o IDINA é uma «solução pragmática, independente do Estado e não autoritativa». Depois de conquistar o prémio, a equipa quer apostar no «desenvolvimento de pilotos, em colaboração com entidades não governamentais de experiência reconhecida», com a meta de ter «protótipos funcionais em pelo menos dois países no prazo de três a quatro anos», conclui o investigador.