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Aplicações contra o Coronavírus: O que é rastreamento de contactos e como funciona

Covid-19

Vários governos estão a desenvolver aplicações para smartphones que conseguem rastrear as pessoas que estiveram em contacto com alguém que tenha sintomas da COVID-19 a doença causada pela infecção por Coronavírus.

De uma forma geral, estas aplicações permitem ao utilizador registar o seu estado na aplicação, se tiverem sintomas da doença. De seguida um alerta amarelo será enviado para os smartphones de qualquer pessoa que tenha estado em contacto durante um espaço de tempo específico com o utilizador infectado.

Se se confirmar que o utilizador testou positivo para a COVID-19, será enviado um alerta vermelho para todos os que estiveram em contacto com ele para os informar que devem entrar em quarentena.

Os resultados dos testes à COVID-19 que confirma que o utilizador está infecto vêm acompanhados de um código de verificação que tem de ser inserido na aplicação, para que não sejam gerados falsos alertas vermelhos.

Uma equipa da Universidade de Oxford desenvolveu um modelo de uma aplicação para dispositivos móveis que usa Bluetooth para registar todos os smartphones (logo os respectivos utilizadores) com que um determinado smartphone esteve em proximidade no período de alguns dias. Se algum dos donos dos smartphones registados testarem positivo para a COVID-19, todos os smartphones que estiveram perto receberão uma notificação para os respectivos donos se auto-isolarem.

Singapura já está a utilizar aplicações móveis que usam também tecnologia Bluetooth para facilitar o rastreamento caso os utilizadores contraiam COVID-19.

Recentemente, a Apple e a Google anunciaram que estão a trabalhar em conjunto para permitir a utilização de tecnologia Bluetooth para ajudar os governos e entidades de saúde a reduzir a disseminação do vírus. As duas empresas anunciaram que em Maio vão lançar API (Application Programming Interface) para facilitar a criação de aplicações para Android e iOS, que usem Bluetooth para rastreamento de infecções.

No modelo utilizado pela Apple e pela Google, os sinais Bluetooth permitem a dois utilizadores trocarem as suas chaves anónimas sempre que estejam em contacto prolongado. Se um deles testar positivo para a COVID-19, pode registar o seu estado na aplicação e o código é enviado para uma base de dados central.

O outro smartphone, ao aceder a essa base de dados, pode comparar os códigos que tem registado com os das pessoas infectadas e se encontrar uma correspondência avisa o utilizador.

A tecnologia Bluetooth é utilizada, porque, ao contrário do GPS e Wi-Fi, apenas detecta que dispositivos estiveram ao pé uns dos outros, em vez de registarem a localização. Segundo a Apple e a Google, a privacidade dos utilizadores foi a preocupação central no desenvolvimento da solução.

Uma publicação recente da Privacy International conclui que a tecnologia Bluetooth é menos intrusiva no rastreio que o GPS ou os dados que podem ser recolhidos a partir dos retransmissores das redes móveis, porque se baseia em proximidade e não na localização.

Vários especialistas têm falado dos perigos para a privacidade e estão algo renitentes em apoiar uma aplicação deste tipo, mesmo que apenas utilize tecnologia Bluetooth. 

Por exemplo, Ross Anderson, professor de engenharia de segurança na Universidade de Cambridge, que está a fazer consultoria para o sistema de saúde do Reino Unido, no que respeita à privacidade e segurança das aplicações de rastreamento de contactos, mostrou alguma desconfiança face à recolha de dados pouco anonimizados num sistema integrado na resposta do governo britânico à pandemia.

A privacidade não é o único problema potencial na utilização de tecnologia Bluetooth, de acordo com Anderson, também há problema do excesso de informação acerca de interacções entre indivíduos que não sejam necessariamente problemáticos. Através de Bluetooth não consegue saber se se trata de uma conversa num jardim entre duas pessoas que estejam a dois metros de distância ou duas pessoas que estão numa fila do supermercado a uma distância segura.

Também há o problema dos falsos positivos, porque os smartphones são usados para muitas outras coisas, para além de fazer chamadas e andar nos bolsos e também porque há sempre alguém que gosta de fazer brincadeiras de mau gosto.

Outra dificuldade será levar as pessoas a instalarem a aplicação, segundo um estudo do Big Data Institute da Universidade de Oxford, para que uma aplicação destas ser eficaz, cerca de 60% da população do Reino Unido terá de estar a usá-la. No entanto, olhando para outros exemplos em todo o mundo, levar as pessoas a usarem a aplicação não é tarefa fácil. Por exemplo, em Singapura, só 13% da população instalou a aplicação de rastreio de contactos.

A proposta da Apple e da Google pode solucionar este problema porque o objectivo final destas empresas é o de ultrapassar completamente a necessidade de se instalar a aplicação e integrar o rastreamento de contactos por Bluetooth directamente nas suas plataformas. Porque, segundo a Apple, é uma solução mais robusta que uma API e permitiria a participação de mais pessoas se quiserem.