High-Tech Girl

“A iluminação exterior é a base para as cidades se tornarem cada vez mais inteligentes”

Conheça Maria Antónia Véstia, chief regional officer Western Europe da Schréder.

Maria Antónia Véstia dirige a área mais importante de negócios do grupo belga Schréder e acompanhou de perto a criação do hub tecnológico da empresa em Portugal, o Schréder Hyperion, inaugurado no fim de 2019.

Sempre quis ser engenheira?
Não, queria ser psicóloga. Quando me fui inscrever, estava tão convencida de que tinha notas para entrar em Psicologia, que foi o único curso que escolhi. Mas uma amiga disse-me: «Não podes pôr só um curso porque se não entras ficas fora. Põe lá este que é muito bom, uma coisa nova: Engenharia de Produção Industrial». Acabei por seguir o conselho e… não é que entrei? Ainda estudei Psicologia durante um ano para ter a certeza de que não ia passar ao lado de uma grande carreira. Mas a Engenharia cativou-me logo no primeiro ano.

Quais foram os passos a seguir?
Comecei a trabalhar em consultoria na área da Engenharia. Mas, passado um ano, achei que devia procurar um emprego ‘mais sério’. Foi quando fiz a minha incursão pela função pública. Entrei na Administração do Porto de Lisboa, mas não aguentei mais que seis meses. Candidatei-me, então, a um anúncio da Schréder para a área comercial, a minha paixão. A empresa, nessa altura, estava a passar por um processo de transformação e queriam alguém que fizesse a certificação ISO da empresa, o que à época era uma coisa muito inovadora.
Só depois fui realmente para a área comercial, como engenheira de vendas para a zona do Algarve e o Alentejo. De seguida, passei a directora comercial da área Sul e depois a directora comercial nacional. Em 2005 assumi o cargo de directora-geral da empresa em Portugal, sendo o director-geral mais jovem do grupo e a única mulher. A direcção regional da Europa Ocidental foi o passo seguinte e é onde me encontro agora.

Como surge a ideia de criar um hub tecnológico, o Schréder Hyperion, e o que levou à escolha de Portugal para o acolher?
Creio que é o resultado do bom trabalho que a Schréder desde sempre fez em Portugal, com uma grande consistência e a mostrar que aqui há muitos talentos e muito bons recursos humanos. Durante um ano inteiro conseguimos construir uma equipa de cinquenta pessoas, com um bom equilíbrio entre rapazes e raparigas, com quinze diferentes nacionalidades e um espírito muito dinâmico. Esta é também uma resposta muito forte da Schréder enquanto grupo para dentro do mercado: criar um hub dedicado às novas tecnologias e àquilo que entendemos que vai ser o futuro do negócio da iluminação exterior. Nós acreditamos que a iluminação exterior é a base para as cidades se tornarem cada vez mais inteligentes. A iluminação pública, que está por todo o lado, é a malha perfeita para tornar as cidades mais versáteis e mais inteligentes, utilizando estas luminárias, que dantes só apagavam e acendiam e que agora podem comunicar umas com as outras.

Mais especificamente, o que faz a Schréder Hyperion?
Foca-se em desenvolver software e soluções para equipar as nossas luminárias. Destacaria dois produtos do seu portfólio. O sistema de controlo para as cidades inteligentes, o Owlet, que permite coordenar luminárias e controlá-las a partir do tablet; e o Shuffle, as colunas multifuncionais que podem ter um sistema de controlo, Wi-Di, iluminação, carregador eléctrico para os automóveis, altifalante, um sistema de pagamento do carregamento eléctrico, etc. Ao instalar uma coluna destas num parque ou na rua, está-se a facilitar a vida aos cidadãos com tudo junto, sem a necessidade de ter um elemento físico para cada valência.

Ter mulheres na equipa, e vê-las progredir, é difícil?
Preocupo-me muito com a progressão das mulheres dentro das empresas e no mundo do trabalho, especialmente em áreas tão conservadoras como são as mais tecnológicas, porque. Apesar de todos os esforços, continua a haver muito poucas, em lugares de topo. Construir uma carreira é uma coisa muito longa e as mulheres têm a maternidade pelo meio, que lhes interrompe o percurso.
Quando voltam, já estão em desvantagem, a competir com quem que nunca saiu. E as jovens têm ainda um certo peso na consciência quando se dedicam à família. As mães não têm de ter medo de dizer que precisam sair mais cedo para ir buscar os filhos porque isso faz parte e não diminui em nada as suas capacidades, o seu esforço nem o seu comprometimento com a empresa. Têm é de aprender a lidar com isso.

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