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O jogo de casino com uma vertente de basketball

A tentativa de conseguir que o jogador pague mais pelos seus jogos esbate a diferença entre um divertimento e um jogo de fortuna/azar.

A indústria dos videojogos lidera o volume de faturação sobre todas as áreas de entretenimento. Em 2018 atingiram mais de 43,8 bilhões de dólares em vendas, o que representa um crescimento de 18% em relação ao ano anterior.

Os videojogos tornaram-se a fonte primária de entretenimento para as novas gerações, chegando ao ponto de o CEO da Netflix vir a público comentar que perde mais clientes para o Fortnite que para o novo serviço de streming da HBO. Este novo “El Dourado” do entretenimento leva a uma rápida saturação na oferta de novos produtos, obrigando os produtores a criar novas soluções para garantir o sucesso monetário dos seus produtos.

A forma mais tradicional de rentabilizar um jogo é através do seu preço de venda. Mas se é fácil conseguir uma boa aceitação do público em pagar mais de setenta euros por um jogo de topo, numa consola de jogos, o mesmo não acontece com um jogo casual que descarregamos para o nosso telemóvel. Por essa razão têm vindo a ser exploradas novas forma de monetizar os jogos. Nessas novas formas de fazer os jogadores pagarem pelos seus jogos enquadram-se as microtransações.

Estes “convites” a gastar dinheiro real em troca de algo que queremos ter a mais no jogo são cada vez mais frequentes, evoluindo no seu nível de sofisticação ao ponto em que já não compramos directamente os artigos que queremos, mas sim pacotes surpresa (ou loot boxes) no qual são sorteados artigos digitais que podemos, ou não, querer. O actual pico desta tendência pode ser encontrado na mais recente versão do jogo NBA 2K20, um simulador de basketball de renome, em que para conseguir os melhores jogadores para o nosso plantel, não só temos que interagir com loot boxes, como também participar em jogos de roleta, slot machines e até mesmo pachinko.

A tentativa de conseguir que o jogador pague mais pelos seus jogos esbate a diferença entre um divertimento e um jogo de fortuna/azar podendo implicar custos superiores a 500 euros. Felizmente, neste caso, isso tem-se reflectido nas inúmeras más críticas e baixas vendas do jogo. No entanto, é necessário um maior controlo governamental sobre este tipo de mecânicas de jogo para evitar a exposição dos mais novos a este tipo de conteúdos viciosos num jogo aparentemente inocente.

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