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Hacker Ethos

O conceito de ‘hacker’ expandiu-se para as mais diversificadas áreas, criando abrangências e aceitações que vão muito além do conceito estigmatizado das suas origens.

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Longe vão os tempos em que os hackers eram qualificados pela cor dos seus chapéus, à semelhança do que acontecia nos antigos filmes a preto e branco de gangsters. Um movimento desalinhado, selvagem e anárquico que nasce da imaginação e linhas de código de pessoas que aparentemente nada têm em comum. Podemos chamar-lhes os novos street writers (os “grafiteiros” rebeldes de rua) onde, tal como eles, alguns são hoje vistos como “artistas” main stream com reconhecimento mundial.

Numa área em que as consequências e implicações são tipicamente muito mais profundas do que uma parede pintada, não é surpreendente verificar que a grande maioria das megacorporações ligadas à informação digital tivessem origem em membros desta comunidade.

Tal como um movimento artístico, o conceito de ‘hacker’ expandiu-se para as mais diversificadas áreas, criando abrangências e aceitações que vão muito além do conceito estigmatizado das suas origens. O YouTube vibra com vídeos do tipo ’10 life hacks para unhas mais bonitas’ e surgem novos conceitos como ‘maker’ ou ‘noder’ que, de uma forma mais ou menos “esotérica”, são derivados directos de uma mesma origem e de um mesmo espírito, passando inclusivamente a integrar vários movimentos artísticos de destaque como o Cyberpunk e o Steampunk, que contribuem para a riqueza da Hacker Ethos.

Um espírito que, na maioria das vezes, evolui espontaneamente, fruto do acaso (sendo a curiosidade o maior catalisador) ou da necessidade, como é o caso da ‘Desobediência Tecnológica’ em Cuba documentada por Ernesto Oroza. Tendo isto em conta, nada nem ninguém tem legitimidade para rejeitar novos membros nesta comunidade.

De braços abertos, são cada vez mais aqueles que idealizam e criam diferentes formas de utilizar a tecnologia para lá dos seus propósitos de design originais, estando agora muito mais focados na sua aplicação prática do que nos propósitos por detrás da sua criação. Com isto, os princípios de partilha e desenvolvimento colaborativo que sempre caracterizaram este movimento, ganham agora uma nova tração e visibilidade no imaginário Pop.

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