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O direito a reparar

Todos temos a ganhar com um maior ciclo de vida dos nossos equipamentos e a capacidade de os podermos reparar é a única forma de o conseguir.

O direito a reparar é um factor-chave na sustentabilidade ambiental, daí a necessidade de dar, a quem procura, a capacidade de reparar os seus equipamentos envelhecidos, ou danificados, e assegurar que estes cumprem o seu tempo de vida útil máximo. Por vezes, uma falha num componente relativamente simples é suficiente para condenar um equipamento a juntar-se ao número crescente de lixo electrónico que produzimos. E o elevando custo de uma reparação (num cento oficial) é a principal razão de compra de um produto novo.

Uma máquina de lavar roupa que se mantenha em funcionamento por vinte anos produz 1,1 toneladas a menos de CO2 que um modelo novo (mesmo que mais eficiente), mas com uma vida mais curta. Isto, se tivermos em consideração a fabricação, distribuição, uso e tratamento no fim de vida.

A miniaturização da tecnologia e a complexidade da electrónica dos dispositivos têm sido os maiores entraves à democratização dos processos de reparação. Por outro lado, a proliferação da informação sobre o tema ‘reparação e reaproveitamento na Internet’, os avanços e a maior disponibilidade de tecnologias como a impressão 3D e fresagem CNC, são aliados de peso para facilitar a reprodução de peças de substituição para equipamentos descontinuados e, inclusive, reduzir as necessidades de aprovisionamento de peças.

Mas para conseguir que isso aconteça é necessário que os fabricantes abram mão do seu monopólio dos processos de reparação e fornecimento de peças de reparação. Infelizmente, na grande maioria das vezes, estas são questões que afectam os direitos de propriedade intelectual e, principalmente, a rentabilidade comercial das marcas. Logo, só com uma legislação apropriada será possível assegurar boas práticas: a disponibilização pública de manuais técnicos de reparação e a implementação de processos de desassemblagem simples, que não envolvam processos destrutivos ou utilizem ferramentas artificialmente complexas.

Todos temos a ganhar com um maior ciclo de vida dos nossos equipamentos e a capacidade de os podermos reparar é a única forma de o conseguir.

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