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Smartphones com múltiplas câmaras

Samsung Galaxy A7Samsung

Ignorando a euforia do 3D do início da segunda década dos anos 2000, com lançamentos como o HTC EVO 3D e LG Optimus 3D, só em 2014 é que podemos afirmar que começaram a aparecer os verdadeiros smartphones com múltiplas câmaras traseiras, com o HTC One (M8). Este modelo usava um segundo sensor de imagem para trabalhar como sensor de profundidade, permitindo ajustar a profundidade de campo depois de captar a imagem. Porém, só com a chegada do Huawei P9 em 2016 (o primeiro modelo a tirar partido da parceria com a Leica) é que assistimos à proliferação dos sistemas de múltiplas câmaras, como conhecemos hoje em dia. O Huawei P9 usa um sensor principal RGB e um secundário monocromático que, combinados, garantiam imagens com cores vibrantes e um grande detalhe.

Actualmente, encontramos modelos como o novo Samsung Galaxy A9 a utilizar uma solução com quatro câmaras traseiras (cinco, se contarmos com a frontal). Mas para que serve tudo isso?

Uma questão de ângulo
Na fotografia, depreende-se que uma abertura entre 26 e 35 mm é a que melhor recria o ângulo de visualização do olho humano (o equivalente a 77º de ângulo de visão), sendo este o tipo de amplitude focal mais utilizada pelas objectivas dos sensores de imagem principais de, praticamente, todos os smartphones do mercado.

Para a obtenção de um ângulo de visão mais elevado, igualmente designado por ‘efeito ulta angular de 120º’, é frequente utilizar-se uma objectiva com uma distância focal entre 12 a 17 mm, embora esta seja uma solução ainda com pouco uso. Actualmente, só a encontramos em dispositivos como o LG V30 e G7, Asus ZenFone 5/5Z, Samsung Galaxy A7/A9 (edições de 2018) e Huawei Mate 20 Pro.

Outra solução igualmente prática, mas mais usada, é a possibilidade de se usar um sensor secundário para criar o efeito de zoom, com objectivas de 52 mm de amplitude para um efeito de zoom óptico de 2x, como acontece com os Samsung Galaxy S9 Plus, Note 9 e Galaxy A9, ou 80 mm para um zoom óptico de 3x para o Huawei Mate 20 Pro.

Efeito bokeh
Embora os efeitos de zoom e grande angular sejam mais práticos e, visualmente, mais interessantes, a grande maioria dos dispositivos que utilizam duas (ou mais) câmaras traseiras tendem a usar sensores de menor resolução no sensor secundário, já que este apenas tem como finalidade medir a profundidade de campo, para conseguir, por software, desfocar o fundo da imagem.

A vantagem de este sistema ser ajustado por software permitir que, durante a captação, como após a imagem captada (só em alguns equipamentos), possa ajustar o efeito de desfocagem do fundo, intensificando assim o efeito de bokeh. Este tipo de efeito é habitualmente usado nas fotografias tipo retrato, destacando assim a face (ou corpo) da pessoa fotografada, face ao local onde se encontra.

PCGuia
Gustavo Dias
Editor da revista PCGuia, com mais de 10 anos no mercado de publicações tecnológicas. Grande adepto de tudo o que seja tecnológico, ficção científica e quatro rodas.
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