Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
Reportagem PC Guia

ESA vai (mesmo) lançar satélite meteorológico Aeolus depois de um atraso de 15 anos

Aeolus ESAAeolus ESA

Um convite para visitar uma instalação científica europeia não é de deixar passar ao lado. Muito mais quando se trata da Agência Espacial Europeia e da Airbus, que unem esforços há vários anos para o desenvolvimento de soluções aeronáuticas.

Neste caso, o pretexto era conhecer melhor o Aeolus em Toulouse, o novo satélite meteorológico deste consórcio que vai ser lançado a 21 de Agosto, a partir da base da ESA na Guiana Francesa (América do Sul).

Para já, a ESA está a fazer os últimos preparativos para expedir o satélite por oceano, a bordo de um navio da Airbus. Como pudemos ver nas instalações da Airbus, o Aeolus já está preparado a acondicionado para transporte.

Uma das coisas que falta é colocar o satélite dentro de um contentor especial que vai garantir protecção térmica. Chegado a Guiana há vários testes eléctricos a fazer – depois, o Aeolus será colocado a bordo de um foguetão Vega, que o vai levar até à órbita terrestre.

Em concerto, a missão do Aeolus é «melhorar a qualidade das previsões meteorológicas» e fazer com que os cientistas «compreendam melhor as dinâmicas atmosféricas», explicou Richard Wimmer, project manager do Aeolus.

Para isso, o Aeolus será o primeiro satélite do mundo a ter um aparelho LiDAR (Light Detection And Ranging) que vai fazer um varrimento horizontal dos ventos terrestres.

Para isso, o Aeolus faz uma medição dos ventos desde a superfície terrestre até uma altitude de 30 km. O sistema de LiDAR criado pela ESA tem um nome curioso: ALADIN (Atmospheric LAser Dopple INstrument).

O Aeolus vai orbitar a Terra a uma «distância de 320 km e fazer ciclos de sete dias, onde vai conseguir fazer 111 “voltas” ao globo», disse Anders Elfving, outros dos gestores de projecto. A totalidade da missão deste satélite é de três anos.

Durante esta missão, o satélite fica numa das três órbitas da ESA, a Científica, a que fica mais perto da Terra; além destas há ainda a das missões Copérnico e a das Meteorológicas (o Aeolus não fica nesta última, pois para analisar os ventos precisa de estar mais perto da Terra).

Aeolus ESA

O projecto Aeolus teve um custo de 481 milhões de euros (sem operações) e teve um atraso de quinze anos, algo que os gestores de projecto tiveram alguma dificuldade em explicar.

«Sabem, há sempre ajustes a fazer e sempre que aplicávamos uma nova tecnologia surgia um problema noutro local», disse Richard Wimmer. O gestor de projecto chegou mesmo a fazer uma curiosa analogia.

«Desenvolver este satélite foi como cortar tentáculos a um polvo: resolvíamos um problema e aparecia mais dois um três tentáculos; arranjávamos tudo e surgiam mais cinco ou seis. foi uma luta que demorou muitos anos».

Depois de entrar em órbita, o Aeolus vai dar as primeiras análises aos cientistas em 2018, mas os primeiros dados operacionais só chegam à Terra a partir de Março/Abril de 2019.

Ao lançamento do Aeolus, seguir-se-à os do Santinel 4 e do MetOp-SG, ambos em para 2021, dentro do programa meteorológico da ESA. Isto, claro, se não houver os atrasos que adiaram de forma sucessiva a missão do Aeolus.

Aeolus ESA

Aeolus ESA

Características principais do Aeolus

Peso: 1,4 toneladas
Dimensões: 1,7 x 1,7 x 4 m / 16,5 metros com os painéis solares
Tempo de vida: três anos
Perfis de ventos analisados por dia: 64 mil
Órbitas por dia: 16
Distância analisada de cada vez: 87 km

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