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PCGuia > Notícias > Quando for grande quero ter uma Start-Up (e depois vendê-la)
Notícias

Quando for grande quero ter uma Start-Up (e depois vendê-la)

Carlos Goncalves
Publicado em 1 de Novembro, 2017
Tempo de leitura: 4 min

A famosa citação de Leon Tolstoy “todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”, nunca fez tanto sentido como agora.

Aos 39 anos, Nuno Sebastião lidera a Feedzai, tecnológica nascida em Portugal e especializada na deteção e prevenção de fraude de pagamentos bancários, que acaba de fazer uma ronda de investimento de 42,5 milhões de euros. É o vencedor da primeira edição da iniciativa 40 Líderes Empresariais do Futuro, promovida pela Exame e pelo Fórum de Administradores e Gestores de Empresas. Mas antes de fundar a Feedzai, quis aprender com os mais experientes e foi trabalhar para a Critical Software e para a Deloitte.

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O empreendedorismo está na moda e o sonho de milhares de jovens acabados de sair da Universidade é ser o próximo Zuckerberg. Como se para isso bastasse ter uma ideia inovadora, criar um website e vestir uma t-shirt com um logótipo cool para mostrar na Web Summit, enquanto moram na casa dos pais e não têm que pagar contas.

Qualquer empresa deve nascer sempre como um acto de Criação de Valor para um grupo de pessoas. O motivo primeiro deve ser sempre criar valor e não tanto alimentar a vaidade ou a independência financeira para quem a cria – isso deve ser sempre uma consequência e nunca o motivo. Um negócio que nasce para alimentar a vaidade de fazer alguém um empreendedor ou a vantagem ilusória de ser dono de si mesmo, é um negócio talhado para o fracasso. E sabemos que os negócios de muitas Start-Up são criados com o único objectivo de um dia (se possível rapidamente!) serem vendidos a um bom preço. Vivemos cada vez mais num mundo facebookiano em que o presente e o número de “likes” é o que realmente interessa. O futuro…logo se vê.

Actualmente as Start-Up são envoltas num manto de positivismo. As ofertas e ajudas para lhes facilitar a vida não demoram. Os conceitos clássicos são trocados por palavras giras e em inglês. Onde dantes havia a banca impiedosa ou um investidor, há agora um Business Angel. E até os media gostam mais do empreendedor “cool” do que daquele empresário da província que trabalha de sol a sol e se priva de quase tudo para pagar vencimentos no final do mês.

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Tudo corre bem, até ao momento em que esses mesmos media começam a dizer que o Rei vai nú. Que mesmo algumas das mais conhecidas Start-Up do Mundo tinham fracassado. Quando se trata duma Start-Up, há um coro de justificações pomposas e em inglês, que parece tirar responsabilidade a quem não teve o devido cuidado e sabedoria para evitar o fracasso (que em linguagem clássica se chama Falência).

Na minha opinião, é fundamental haver uma cultura de humildade e visão de longo prazo. Um empreendedor é um maratonista com uma enorme vontade de aprender, inovar e criar valor para os outros, ao contrário daquele que procura fazer um percurso rápido a navegar à vista.

As sábias palavras de Leon Tolstoy deverão fazer-nos reflectir sobre o lado menos positivo do empreendedorismo. O percurso do CEO da tecnológica Feedzai é um exemplo inspirador para que os jovens das novas gerações possam um dia dizer aos pais “Quando for grande quero aprender com quem sabe, e só depois criar a minha Start-Up”.

Carlos Gonçalves
CEO Avila Spaces

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