O hábito de procurar respostas rápidas na Internet está a sofrer uma transformação profunda, impulsionada pela adopção massiva de ferramentas de inteligência artificial. Segundo avança o site 9to5Google, o ChatGPT conseguiu atingir um volume de pesquisas equivalente a 20% do total processado pelo motor de busca do Google. Este marco impressionante foi confirmado por Adam Fry, responsável pelos produtos de consumo da OpenAI, durante um recente evento de imprensa organizado pela empresa. A métrica utilizada para definir uma pesquisa baseia-se em qualquer interacção onde o utilizador introduz um comando que obriga o sistema a procurar informações em tempo real na Web. Esta aproximação veloz representa o maior desafio que a gigante das pesquisas já enfrentou, justificando a forte aposta que o motor de busca tem feito para integrar resumos gerados por inteligência artificial nos seus próprios resultados para evitar uma quebra na rentabilização.
A expansão acelerada da base de utilizadores
Para compreender a dimensão deste fenómeno, é necessário olhar para o ritmo de adopção da plataforma conversacional. Durante uma entrevista conduzida por Alex Kantrowitz na plataforma Big Technology, Adam Fry revelou que o assistente virtual expandiu a o número de utilizadores para 1,2 mil milhões de contas apenas nos últimos dois meses. A plataforma está a angariar cerca de 100 milhões de novos utilizadores a cada trinta dias. As pessoas já não procuram apenas ajuda para escrever textos ou programar código, passando a solicitar detalhes em tempo real sobre a meteorologia local, finanças, saúde e as notícias mais relevantes do momento. Esta evolução constante, que se reflecte na estratégia em que a OpenAI disponibiliza o GPT-6 em todas as versões do ChatGPT, demonstra uma enorme capacidade de retenção e personalização que agrada profundamente aos consumidores.
O contraste entre o volume de questões e o tráfego real
Se o volume de questões colocadas à inteligência artificial surpreende, o impacto real no encaminhamento de visitantes para os sites de origem revela uma realidade bem diferente. Para estabelecer um termo de comparação, Satya Nadella, director executivo da Microsoft, referiu durante um julgamento em 2023 que o Bing detinha apenas cerca de 3% do mercado de pesquisas, mesmo após mais de dez anos de tentativas. O ChatGPT ultrapassa largamente os rivais tradicionais no que toca ao envolvimento directo, mas falha na distribuição de tráfego. Dados recentes de monitorização da Ahrefs mostram que o Google continua a gerar 24,74% do tráfego global da Web, enquanto a ferramenta da OpenAI é responsável por uns meros 0,36%. Esta discrepância monumental prova que os utilizadores fazem inúmeras perguntas, mas recebem as respostas directamente no ecrã da aplicação, sem sentirem a necessidade de clicar em ligações externas para aceder aos publicadores originais.
A transição para a publicidade integrada
A retenção dos utilizadores dentro do próprio ambiente de conversação levanta questões cruciais sobre a rentabilização do serviço a longo prazo. A OpenAI está a preparar testes com imagens de produtos patrocinados directamente inseridas nas respostas do assistente, um passo estratégico antes de uma potencial entrada da empresa na bolsa de valores. Adam Fry sublinhou que os primeiros ensaios demonstram que a maioria das pessoas não se importa de ver anúncios de produtos misturados de forma natural nas respostas conversacionais, sugerindo até que a empresa pretende expandir esta vertente de negócio. A visão da tecnológica passa por transformar a interface de texto numa verdadeira tela visual, capaz de mostrar imagens e gráficos interactivos lado a lado com as informações geradas, elevando a utilidade da ferramenta sem quebrar a fluidez da interacção.
Este novo paradigma pode alterar definitivamente a economia da Internet nos próximos anos. Os motores de busca tradicionais construíram a rede global ao direccionarem as pessoas para páginas externas, alimentando o modelo de negócio de milhares de criadores e empresas de comunicação. Ao manter os leitores presos na sua própria aplicação, a inteligência artificial ameaça secar essa fonte de visitantes. Embora o domínio absoluto do tráfego real continue firmemente nas mãos do Google, a rápida ascensão do ChatGPT a um quinto do volume total de pesquisas comprova que os hábitos diários de navegação estão a mudar para sempre, obrigando toda a indústria a repensar a forma como a informação é distribuída e rentabilizada no mundo digital.
