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PCGuia > Notícias > Inteligência Artificial > Parecer no Tribunal Europeu alerta que respostas do Google Gemini podem violar direitos de autor
Inteligência ArtificialNotícias

Parecer no Tribunal Europeu alerta que respostas do Google Gemini podem violar direitos de autor

Um parecer preliminar do Tribunal de Justiça da União Europeia alerta que o chatbot Gemini pode violar direitos de autor ao reproduzir artigos noticiosos de forma extensa. O caso sublinha a distinção técnica entre o treino de inteligência artificial e a recuperação de conteúdos em tempo real.

Pedro Tróia
Publicado em 4 de Novembro, 2026
Tempo de leitura: 5 min
Gemini
Imagem - Google
Neste artigo
  • A linha ténue entre a extracção de factos e a cópia ilegal
  • Um cenário global de disputas e direitos de autor
  • O peso do passado europeu e os avisos para o mercado empresarial

O chatbot Gemini da Google pode estar a infringir os direitos dos editores europeus ao recuperar e reutilizar artigos noticiosos. A indicação foi dada a 3 de Novembro por Maciej Szpunar, advogado-geral do mais alto tribunal do bloco europeu. O responsável emitiu um parecer não vinculativo num litígio que opõe a editora húngara Like Company à Google Ireland, aguardando-se uma decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia. Para as empresas que adquirem ferramentas de inteligência artificial, o processo levanta questões sobre como estes sistemas acedem ao material e o reproduzem nas respostas.

O caso abrange a alegada utilização de materiais para treino e a recuperação de artigos pelo Gemini para responder a perguntas de forma directa. Contudo, a análise técnica subjacente introduz nuances que podem redefinir o panorama legal na Europa.

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A linha ténue entre a extracção de factos e a cópia ilegal

Maciej Szpunar propôs que a infracção pode decorrer de duas vias distintas. A primeira envolve o acesso ilícito, contornando protecções técnicas colocadas pelos editores nos sites. A segunda prende-se estritamente com as respostas do chatbot. Se a ferramenta reproduzir a expressão de um artigo de forma tão extensa que substitua a leitura do texto original, existe uma violação. Por outro lado, a simples comunicação dos mesmos factos não preenche os critérios de infracção.

O advogado-geral recomendou que o tribunal ignore as questões relativas ao treino, pois o processo carece de provas concretas de que os artigos da Like Company foram usados para treinar o Gemini. A avaliação preliminar sugeriu também que o exemplo da editora não estabelecia inequivocamente a infracção, dependendo das conclusões finais da justiça local.

Um cenário global de disputas e direitos de autor

A Google não é a única empresa a enfrentar um escrutínio intenso por questões de direitos de autor. A Amazon foi alvo de uma queixa do criador de conteúdos do Twitch, Warren Pandiscia, que alegou o uso das suas transmissões para treinar modelos. Num processo de maior dimensão, a OpenAI e a Microsoft enfrentam uma acção judicial do The New York Times, que acusa as tecnológicas de utilizarem ilegalmente os seus artigos noticiosos.

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A própria Google trava uma batalha nos Estados Unidos da América contra o autor Scott Turow e várias editoras, que alegam a cópia de milhões de obras sem autorização. O debate motivou a intervenção do governo norte-americano. Em Setembro, o Departamento de Justiça apoiou a OpenAI e a Microsoft contra o The New York Times, argumentando que restringir a utilização de obras protegidas poderia dar uma vantagem competitiva a nações rivais.

O peso do passado europeu e os avisos para o mercado empresarial

Além da propriedade intelectual, a empresa tem enfrentado processos de concorrência na União Europeia. A justiça rejeitou o recurso final num processo em que o Tribunal Europeu obriga Google a pagar multa recorde de 4,1 mil milhões de euros devido a práticas abusivas no Android. Em Julho, a empresa foi multada em 890 milhões de euros por favorecer os seus serviços de pesquisa e restringir programadores na Google Play Store. A pressão regulatória levou ainda a Google a alterar a sua política de abuso de reputação de sites no mês de Agosto.

Para as equipas de tecnologia, o caso destaca uma distinção técnica fundamental. A forma como um modelo foi treinado e o método como um chatbot recupera conteúdos constituem processos totalmente separados. A explicação de um fornecedor sobre o treino não clarifica o que acontece quando a ferramenta acede a um site de notícias em tempo real. As equipas empresariais devem questionar os fornecedores sobre as fontes que recuperam, o tratamento de restrições de acesso e as salvaguardas para limitar a reprodução de material publicado. As revisões de aquisição devem examinar as disposições contratuais que cobrem os direitos de conteúdo e a responsabilidade por resultados contestados.

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Etiquetas:GeminiTribunal Europeu
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