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PCGuia > Notícias > Segurança > Falta de meios pode ter estado na origem do problema de segurnaça da linguagem PHP
NotíciasSegurança

Falta de meios pode ter estado na origem do problema de segurnaça da linguagem PHP

A recente falha crítica de segurança no PHP expôs a falta de financiamento da fundação responsável pela linguagem, mas o maior risco reside nos milhares de servidores que continuam a usar versões desactualizadas.

Pedro Tróia
Publicado em 26 de Outubro, 2026
Tempo de leitura: 6 min
PHP
Imagem gerada por IA
Neste artigo
  • Uma fundação a funcionar com recursos mínimos
  • O percurso sinuoso até à falha de segurança
  • O perigo oculto nas versões desactualizadas

A infra-estrutura de grande parte da Internet enfrenta um momento crítico provocado pela escassez de recursos humanos e financeiros. Recentemente foi descoberta uma falha de segurança grave na linguagem de programação PHP, responsável por fazer funcionar cerca de 71% dos sites web em todo o mundo, que permitia a execução remota de código. A raiz deste problema estrutural reside na falta de financiamento crónico que afecta muitas peças fundamentais de software de código aberto. Segundo avança o site Tom’s Hardware, a situação expôs as fragilidades de uma equipa de desenvolvimento que trabalha no limite das suas capacidades. Esta realidade tornou-se ainda mais evidente durante o último ano, devido a um influxo massivo de relatórios de vulnerabilidades de software gerados por sistemas de inteligência artificial, o que colocou uma pressão sem precedentes sobre os responsáveis pela manutenção do código.

Uma fundação a funcionar com recursos mínimos

A dimensão da crise torna-se evidente ao analisar a estrutura da PHP Foundation, a entidade que desenvolve e supervisiona a linguagem. Elizabeth Barron, directora executiva da organização, confirmou que é a única pessoa a trabalhar a tempo inteiro na fundação, apoiando-se na ajuda de 14 prestadores de serviços que operam maioritariamente em regime de tempo parcial. Esta equipa reduzida tem a missão hercúlea de desenvolver e manter o núcleo do PHP, o que inclui a resolução de falhas de segurança e a implementação de novas funcionalidades. Embora a fundação aceite contribuições da comunidade, à semelhança do que acontece com o desenvolvimento do núcleo do sistema operativo Linux, a disparidade de recursos é abismal. O projecto Linux beneficia de uma estrutura muito mais robusta, com vários trabalhadores a tempo inteiro e programadores contratados directamente por grandes empresas para dedicarem o seu tempo ao código. A equipa do PHP, por outro lado, já se encontrava sob enorme pressão antes do recente aumento de relatórios de falhas. Naturalmente, a fundação colabora com outras empresas e firmas de cibersegurança, mas o volume de trabalho excede largamente a capacidade de resposta dos recursos humanos disponíveis.

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O percurso sinuoso até à falha de segurança

O impacto directo desta falta de investimento traduziu-se numa falha estrutural na capacidade de resposta a ameaças iminentes. A condição de falta de memória, tecnicamente conhecida como OOM, que acabou por conduzir aos ataques de 2026, foi originalmente descoberta no ano de 2024. Devido à imensa popularidade do PHP e à vasta quantidade de extensões de terceiros existentes no ecossistema, o trabalho necessário para corrigir este problema específico estagnou e recomeçou repetidamente ao longo de vários meses. A situação agravou-se consideravelmente quando a empresa de cibersegurança Chainguard quebrou acidentalmente o embargo de informação sobre a vulnerabilidade PHP2Shell antes do tempo previsto para a divulgação pública. Apesar de não existirem relatos de exploração da falha antes do lançamento da correcção de segurança, a directora executiva sublinha que o financiamento existente, embora escasso, foi crucial. Sem os fundos da fundação, teria sido impossível alocar várias pessoas para trabalhar intensivamente no problema, atravessando fins-de-semana a fio em coordenação contínua com outras entidades envolvidas na mitigação do risco.

O perigo oculto nas versões desactualizadas

Contudo, a vulnerabilidade no núcleo da linguagem representa apenas uma fracção do cenário actual, que esconde perigos muito maiores. O verdadeiro desafio reside nas práticas negligentes de administração de sistemas que proliferam por toda a Internet. Quase 73% das instalações de PHP encontram-se a executar versões que já ultrapassaram a sua data de fim de vida útil, o que significa que a obtenção de correcções de segurança se tornou numa tarefa extremamente complexa.

Muitos servidores continuam a funcionar com o PHP 7, uma versão lançada no final do ano de 2015 e cujo suporte oficial terminou há quatro anos. Mais alarmante ainda é o facto de cerca de 7,7% dos sites baseados nesta tecnologia ainda utilizarem a versão cinco, que chegou ao mercado em 2005 e viu o seu suporte ser definitivamente encerrado no ano de 2018. A transição entre estas gerações de software exige alterações no código das páginas web, nomeadamente a remoção de suporte para funções e bibliotecas antigas.

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No entanto, a esmagadora maioria destas modificações é simples de identificar e aplicar. Muito antes do advento das ferramentas baseadas em inteligência artificial, já existiam soluções automatizadas de correcção de código disponíveis no mercado para facilitar esta migração. Em teoria, qualquer servidor que com a geração actual do software deveria ser actualizado em poucos minutos com as correcções lançadas, mas a realidade mostra que muitos sites ficam inactivos por longos períodos devido ao receio de exploração de falhas. A resistência à actualização mantém milhares de plataformas expostas a riscos desnecessários, evidenciando uma complacência generalizada no sector tecnológico que ameaça a estabilidade global da rede.

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Etiquetas:PHP
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