O mercado de componentes informáticos foi abalado por um episódio insólito no Brasil, onde uma das placas gráficas mais cobiçadas da actualidade surgiu à venda online. Uma ZOTAC GeForce RTX 5090, parte de um carregamento furtado, foi detectada no mercado de venda de produtos em segunda mão OLX. O anunciante publicou fotografias do produto que deixavam visível o número de série da embalagem. Esta falha permitiu cruzar os dados com os registos oficiais, confirmando que o componente pertencia ao lote desviado de instalações aeroportuárias.
Detalhes da venda insólita e especificações técnicas
O anúncio original foi publicado a 7 de Outubro, a partir da localidade de Santa Bárbara d’Oeste, no estado de São Paulo. O vendedor pedia inicialmente 34.000 reais (cerca de 5.500 euros), mas reduziu o preço para 32.000 reais (cerca de 5.200 euros) numa tentativa de acelerar a transacção. O produto em causa é uma ZOTAC GeForce RTX 5090 SOLID OC, com 32 gigabytes de memória dedicada. A caixa mostrava as características normais de venda a retalho, sugerindo que a unidade permanecia intacta.
Embora a listagem tenha sido eliminada da plataforma, o endereço digital e as capturas de ecrã circularam em fóruns. Segundo o site VideoCardz, a correspondência do número de série com os registos da distribuidora Oderço foi central para identificar a proveniência ilícita do material. A comunidade não poupou críticas ao vendedor, ridicularizando a tentativa de escoar um artigo furtado a um preço próximo do valor de mercado.
O roubo milionário no aeroporto de Guarulhos
A placa gráfica agora identificada representa uma pequena fracção de um crime maior. O incidente envolveu o desaparecimento de duas paletes repletas de placas ZOTAC RTX 5090, armazenadas no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O carregamento pertencia à Oderço, uma empresa distribuidora a operar no mercado brasileiro. O valor total da mercadoria subtraída atingia os 2,5 milhões de reais (cerca de 408.000 euros) a preço de custo, demonstrando a magnitude do prejuízo financeiro.
Num primeiro momento, a Oderço comunicou que o lote tinha desaparecido das instalações alfandegárias sem justificação por parte da entidade gestora. O silêncio das autoridades gerou incerteza no sector da distribuição, levantando questões sobre os protocolos de segurança aplicados a mercadorias valiosas. A complexidade logística de movimentar duas paletes de equipamento indicava que o furto exigiu coordenação, meios de transporte adequados e conhecimento das rotinas do terminal.
Investigação policial e falhas de segurança interna
As investigações produziram resultados concretos, revelando um esquema que envolvia acesso privilegiado. Imagens de videovigilância do aeroporto documentaram a acção criminosa. O material mostra dois operadores de empilhadores, subcontratados, a removerem deliberadamente as paletes do armazém. A extracção física ocorreu a 21 de Setembro, configurando uma quebra de segurança grave num dos maiores centros logísticos da América Latina.
O plano criminoso dependeu de um terceiro elemento para contornar as barreiras burocráticas. Um funcionário está sob suspeita de ter manipulado o sistema informático interno para autorizar a libertação fraudulenta da carga. Após a aprovação forjada, as placas gráficas foram transferidas para um camião de transporte e retiradas do recinto. O anúncio detectado na plataforma OLX constitui a primeira pista pública que liga uma unidade ao carregamento desaparecido, abrindo novas linhas de investigação para apurar a identidade da pessoa responsável pela publicação.
