A capacidade de produção de memória vai continuar sob pressão devido às necessidades dos centros de dados de IA. Segundo declarações citadas pelo Wccftech, o presidente executivo da Intel, Lip-Bu Tan, considera que a escassez de hardware para este sector «poderá prolongar-se por mais dois a três anos», devido a «limitações persistentes na cadeia de abastecimento».
Esta previsão abrange componentes usados em infra-estruturas de IA, sobretudo memória, mas também GPU e CPU. Embora não se refira directamente à RAM vendida para computadores pessoais, este desequilíbrio pode continuar a afectar a disponibilidade e os preços no mercado de consumo.
A relação está nas prioridades dos fabricantes: os contratos para centros de dados «oferecem margens mais elevadas e absorvem uma parte crescente dos recursos de produção». A pressão neste sector pode, por isso, limitar a capacidade disponível para «responder às necessidades dos fabricantes de PC e dos consumidores que querem aumentar a memória dos seus computadores», disse Lip-Bu Tan.
A juntar a isto, há ainda sinais de agravamento nos preços praticados entre fornecedores e clientes industriais. De acordo com uma análise do Barclays citada pelo Wccftech, os preços dos chips DDR4 aumentaram 24% nos últimos três meses, acima dos 20% registados pela DDR5. Estes valores «não correspondem directamente aos preços dos módulos nas lojas», mas indicam um «aumento dos custos ao longo da cadeia de abastecimento».
A mesma análise aponta para restrições no fornecimento de memória da Micron durante todo o ano de 2028. Ainda assim, coincide com o cenário descrito por Lip-Bu Tan: a produção poderá «continuar sem capacidade para acompanhar as necessidades do sector durante vários anos».
