Um novo estudo chinês descobriu que as turbinas eólicas instaladas no mar afectam negativamente os sistemas de radar terrestres. Segundo o site Interesting Engineering, os investigadores concluíram que estas estruturas gigantes de metal criam pontos cegos significativos, o que torna a detecção de navios muito mais difícil. A uma distância de cinco quilómetros, a cobertura eficaz do radar pode sofrer uma queda abrupta de 6,9 por cento. Além disso, as áreas sem qualquer tipo de visibilidade electrónica tendem a aumentar cerca de 14,9 por cento. Este cenário dificulta o trabalho das autoridades costeiras no controlo do tráfego marítimo.
Esta limitação técnica representa um risco elevado para a segurança na costa. Os radares são ferramentas essenciais para monitorizar a passagem de embarcações, especialmente durante a noite ou sob condições meteorológicas adversas como o nevoeiro intenso. A transição para energias limpas continua a expandir-se rapidamente a nível global. Tal como vemos inovações tecnológicas noutras áreas, onde um novo modelo de previsão meteorológica baseado em inteligência artificial ajuda a antecipar tempestades com maior precisão, a proliferação de parques eólicos offshore traz desafios inesperados para as infraestruturas já existentes. O movimento constante das pás das turbinas gera assinaturas falsas nos ecrãs de monitorização. Este fenómeno baralha as leituras dos operadores ao misturar a presença de infraestruturas estáticas com a deslocação real de objectos em movimento.
Efeito fantasma nos ecrãs
O problema subjacente não reside apenas no bloqueio físico dos sinais de radiofrequência. A investigação, recentemente publicada na revista científica chinesa Radio Engineering, detalha um fenómeno complexo conhecido como efeito fantasma. A energia emitida pelo radar faz ricochete de forma aleatória entre os navios, a superfície da água do mar e as próprias estruturas das turbinas. Quando o sinal regressa finalmente ao receptor em terra, os objectos parecem estar numa posição completamente errada ou surgem ecos falsos que não correspondem à realidade. Países como os Estados Unidos e o Reino Unido já lidam com estas interferências electromagnéticas desde o ano de 2004. Para mitigar os riscos associados a esta tecnologia, as autoridades marítimas aplicam zonas de exclusão à navegação e optimizam a disposição física dos aerogeradores logo na fase inicial de projecto.
