A empresa de Elon Musk parece estar a preparar o terreno para uma realidade sem o Falcon 9, mesmo sendo este um dos sistemas de lançamento mais importantes em serviço. Segundo o site TechSpot, a companhia norte-americana deixou de aceitar reservas para o seu icónico foguetão para lá do ano de 2028. Esta decisão sugere um plano agressivo para transferir todos os clientes para a Starship. Trata-se de um veículo muito maior, desenhado de raiz para suportar lançamentos massivos de satélites e missões no espaço profundo.
Para já, o Falcon 9 continua a dominar o mercado comercial de forma avassaladora. Só no ano de 2025, o veículo realizou 165 lançamentos, entregou sempre as suas cargas em órbita com sucesso e registou apenas uma falha na recuperação de um propulsor. Este sistema representou quase 50% de todas as missões espaciais a nível mundial. A sua capacidade de reutilização e a cadência rápida alteraram a economia do sector, permitindo que várias empresas partilhassem o mesmo voo.
O desafio de substituir um gigante
Se a oferta do Falcon 9 terminar realmente após 2028, os clientes de menor dimensão vão precisar de alternativas urgentes. Outros fornecedores podem tentar absorver a procura, mas nenhum consegue igualar o ritmo actual da SpaceX. A indústria já levantou preocupações sobre uma possível escassez de foguetões numa altura em que a necessidade de colocar satélites no espaço cresce a cada dia. O próprio Elon Musk afirmou que vai desviar os recursos de engenharia e produção para a Starship assim que o novo veículo começar a voar com regularidade. O objectivo final passa por atingir uma cadência de vários lançamentos diários. Esta infra-estrutura gigantesca no espaço poderá até abrir portas a novas tecnologias, como o primeiro data center orbital da SpaceX, que necessitará de transporte pesado constante.
Fica no ar uma questão evidente sobre a capacidade da Starship para cumprir este padrão exigente num prazo de apenas dois anos. O sistema foi projectado para transportar cargas muito maiores e voar até à Lua, mas ainda não conseguiu atingir a órbita terrestre. O protótipo mais recente começou a realizar testes de voo este ano e a primeira tentativa orbital está agendada para o dia 28 de Setembro. O relógio não para de contar e a pressão sobre as equipas de engenharia é imensa.
O papel fundamental da NASA
Existe ainda um obstáculo técnico significativo no que toca às missões da Estação Espacial Internacional. Actualmente, o Falcon 9 transporta carga e astronautas para a NASA, uma tarefa que a Starship não pode assumir de imediato porque o seu estágio superior é demasiado grande para acoplar à estação. Se a vida útil da estrutura orbital for prolongada até 2032, a agência espacial norte-americana poderá ter de depender mais das naves russas Soyuz ou da Starliner da Boeing. Nenhuma destas opções representa um substituto directo para a eficiência actual.
O programa Artemis ajuda a explicar o motivo pelo qual 2028 se tornou uma data limite tão crítica. O plano da NASA exige que uma nave Starship separada seja reabastecida em órbita através de 15 lançamentos consecutivos, antes de viajar para a órbita lunar e levar dois astronautas até à superfície. Esta alunagem está marcada precisamente para 2028. A empresa precisa de ter tudo pronto para honrar este compromisso histórico, embora possa sempre alterar a rota e prolongar os voos do Falcon 9 caso o desenvolvimento da nova nave sofra atrasos inesperados.
