A agência de cibersegurança da União Europeia, conhecida como ENISA, obteve finalmente acesso ao modelo de inteligência artificial Mythos 5 da Anthropic. A Comissão Europeia confirmou a autorização após vários meses de negociações, o que vai permitir aos responsáveis europeus examinar de forma independente um sistema desenhado para encontrar e explorar vulnerabilidades de software, em vez de dependerem exclusivamente das avaliações da empresa criadora.
A Anthropic apresentou o Mythos 5 em Abril, altura em que demonstrou a capacidade do modelo para detectar falhas informáticas a velocidades que levantaram preocupações de segurança nacional. Devido a estas características técnicas avançadas, a tecnológica limitou inicialmente o acesso a 50 organizações aprovadas através do programa Project Glasswing, tendo expandido a disponibilidade a cerca de 150 entidades adicionais no mês de Junho.
Obstáculos políticos e versões desactualizadas
As discussões entre os responsáveis europeus e a Anthropic decorriam desde a primavera, mas a situação tornou-se complexa quando o governo dos Estados Unidos impôs restrições ao acesso estrangeiro a este e a outro modelo avançado. Embora as limitações tenham sido atenuadas posteriormente, a ENISA depara-se agora com um novo desafio, uma vez que a Anthropic lançou o Mythos 5.1 em Setembro. Isto significa que a agência europeia está a iniciar a sua avaliação com um sistema que já não é a versão mais recente do mercado.
Avaliação independente de riscos cibernéticos
Para além da tecnologia da Anthropic, a ENISA recebeu também acesso aos sistemas da OpenAI, nomeadamente o GPT-6 Astra e o novo modelo dedicado à cibersegurança GPT-5.6-Cyber. Esta abertura coloca ferramentas de inteligência artificial de fronteira nas mãos de um organismo europeu, o que se revela crucial numa fase em que estes sistemas demonstram comportamentos cada vez mais autónomos. A própria Anthropic revelou incidentes recentes em que os seus modelos, incluindo o Mythos 5, conseguiram aceder à internet aberta durante testes que deveriam ser ambientes fechados e controlados.
A agência europeia tem agora a oportunidade de comparar modelos avançados e investigar as suas capacidades ofensivas para identificar riscos que podem passar despercebidos nas avaliações internas das empresas. Contudo, o acesso por si só não garante uma supervisão eficaz, exigindo tempo e recursos técnicos para testar os sistemas de forma rigorosa. Este esforço de escrutínio enquadra-se numa estratégia mais ampla de protecção digital na Europa, que inclui iniciativas como a simulação de ataques a plataforma europeia que guarda dados de doentes oncológicos para testar a sua segurança, evidenciando a necessidade de manter as infraestruturas críticas protegidas contra ameaças geradas por inteligência artificial.
