De acordo com os números mais recentes, publicados pela IDC, o mercado global de computadores está a atravessar uma fase peculiar, onde a venda de menos unidades resulta em maiores lucros para as fabricantes. As marcas estão a direccionar o foco para máquinas mais caras, para compensar a quebra de 4,9% nas vendas mundiais registada nos últimos 3 meses. Esta estratégia surge como resposta directa à escassez de componentes e à crescente procura por sistemas capazes de processar Inteligência Artificial localmente.
Para justificar o aumento dos preços, a indústria aposta fortemente nos chamados computadores de Inteligência Artificial. Estes equipamentos integram processadores centrais mais recentes, unidades de processamento gráfico avançadas e unidades de processamento neural dedicadas, o que exige também configurações de memória substancialmente maiores. Esta combinação de hardware permite executar tarefas complexas directamente no dispositivo, o que reduz a dependência da nuvem, mas encarece significativamente o custo de produção e o valor final para o consumidor.
Os resultados financeiros espelham o sucesso desta transição para o segmento premium. A HP viu as receitas da sua divisão de sistemas pessoais crescer 18% nos últimos 3 meses, apesar de as vendas em volume terem caído 16%. A Dell registou um aumento de 20% nas receitas do seu grupo de soluções para clientes, enquanto a Lenovo reportou um crescimento de quase 30% em computadores e dispositivos inteligentes.
O peso do mercado empresarial
As empresas representam cerca de 75% do volume do mercado de computadores e oferecem o principal suporte a esta nova realidade de preços altos. As organizações procuram manter o controlo rigoroso sobre dados sensíveis, a preferir processar cargas de trabalho de Inteligência Artificial nas próprias instalações em vez de recorrer a servidores externos.
Do lado dos consumidores domésticos, a aceitação desta nova tabela de preços afigura-se mais difícil. Os compradores com orçamentos limitados enfrentam um mercado desprovido de opções económicas, a mostrar pouca vontade de pagar um valor extra por funcionalidades de Inteligência Artificial cujos benefícios práticos ainda não são totalmente claros. Além dos custos elevados, os utilizadores comuns continuam a lidar com ameaças constantes à segurança dos seus sistemas.
Escassez de memória prolonga crise de preços
A pressão sobre os valores de venda tem origem no mercado de infraestruturas de Inteligência Artificial, onde a procura massiva por chips de memória inflacionou os custos dos componentes e limitou o fornecimento para outras categorias de hardware. As previsões indicam que os preços médios dos computadores vão subir 20% este ano, seguidos de aumentos mais moderados em 2027. A escassez de memória não deverá apresentar melhorias antes de 2028, altura em que os preços poderão começar a descer ligeiramente, embora os analistas garantam que os valores nunca regressarão aos patamares praticados em 2025.
