O formato Linear Tape Open, desenhado nos anos noventa como uma alternativa de padrão aberto para o armazenamento de grandes quantidades de dados, está a viver um renascimento impressionante. As empresas de inteligência artificial não conseguem parar de consumir dados para treinar os grandes modelos de linguagem, o que está a impulsionar a relevância e o volume das vendas de dispositivos desta tecnologia. Segundo o site TechSpot, este formato clássico é agora mais popular do que nunca, desafiando iniciativas passadas que tentaram eliminar as fitas magnéticas por alegadas razões de eficiência.
O impacto da inteligência artificial no armazenamento
O Consórcio LTO, formado pela HPE, IBM e Quantum Corporation, anunciou recentemente que a capacidade vendida de suportes compatíveis cresceu 57% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Hugues Meyrath, o director executivo da Quantum, sublinhou que as organizações estão a lidar com um crescimento sem precedentes na necessidade de armazenamento de dados digitais. Esta explosão de informação, aliada ao aumento dos custos de energia e hardware, está a forçar as empresas a adoptar soluções de armazenamento a longo prazo mais eficientes e seguras contra ciberataques.
Novas gerações impulsionam o mercado
O mercado já tinha estabelecido um recorde absoluto em 2024 com mais de 160 exabytes enviados, e os analistas prevêem agora um crescimento renovado até ao final deste ano. O aumento na procura foi impulsionado pela crescente prevalência das fitas LTO 9, que oferecem uma capacidade nativa de 18 terabytes e conseguem guardar até 45 terabytes de dados comprimidos. Entretanto, a indústria já lançou as mais recentes LTO 10, que podem até armazenar 40 terabytes de informação não comprimida e uns impressionantes 100 terabytes de dados comprimidos, o que deverá atrair ainda mais clientes nos próximos meses.
A âncora das infraestruturas modernas
O analista de armazenamento Tom Coughlin explicou que tanto o processamento de inteligência artificial como as tarefas tradicionais de arquivo estão a impulsionar este mercado. As fitas magnéticas funcionam como uma âncora estável numa mistura de diferentes plataformas primárias e secundárias, sendo ideais para aplicações de “cold storage” (armazenamento de longo prazo em que a velocidade de acesso aos dados não é um factor importante) por conseguirem fornecer rapidamente terabytes de capacidade adicional a um custo muito baixo. O consórcio espera agora que os clientes comecem a actualizar os sistemas para as gerações mais recentes, consolidando a fita magnética como um elemento estratégico e indispensável nas infraestruturas de dados modernas.
