Inspirado na icónica ponte (e no estreito homónimo, de onde provém o nome ‘Golden Gate’) que liga a cidade de São Francisco ao condado de Marin e faz a ligação entre a Baía de São Francisco e o Oceano Pacífico, este SO tem como grande novidade o facto de a nova Siri ser baseada em inteligência artificial. A assistente deixa de responder apenas a comandos simples e passa a manter conversas naturais, semelhantes às oferecidas por serviços como o ChatGPT.
Além disso, passa a ter acesso às informações armazenadas em aplicações como Mail, Calendário, Notas, Mensagens e Lembretes, podendo pesquisar na Internet, interpretar o que está a ser mostrado no ecrã e executar tarefas como criar eventos, escrever e-mails ou organizar fotografias. A nova Siri passa também a estar integrada no Spotlight e ganha uma aplicação própria onde é possível consultar o histórico das conversas. Quem tiver um computador com processador M3 (ou superior) vai ainda poder ter vozes personalizadas e de um sistema de ditado mais avançado, graças ao processamento local por IA. No entanto, enquanto o novo macOS deve chegar em Setembro, a Siri com IA só fica disponível no final do ano.
IA que vê e interpreta
A forte aposta da Apple na IA estende-se à funcionalidade Visual Intelligence: com o atalho ‘Command+Shift+Space’, podemos seleccionar qualquer área do ecrã e pedir à Siri que explique o que está a ver, identifique objectos ou responda a perguntas sobre o conteúdo apresentado, na linha do que a Google já faz há algum tempo. A assistente fica, igualmente, integrada nos menus de contexto do sistema e pode ajudar a escrever textos, corrigir gramática ou adaptar o estilo da escrita. E, ao contrário do que acontece no iPhone, iPad e Apple Watch, onde a Siri AI foi adiada na União Europeia devido às exigências do Digital Markets Act (DMA), estas funcionalidades estarão disponíveis nos Macs europeus desde o lançamento do macOS Golden Gate. Numa primeira fase, contudo, a única língua disponível será o inglês.
Fotos e Safari também ficam mais inteligentes
O reforço da IA no Golden Gate chega, ainda, à aplicação Fotografias, que recebe novas ferramentas de edição baseadas em IA: a ‘Clean Up’ «melhora», segundo a Apple, a «remoção de objectos», enquanto a ‘Reframe’ permite «alterar a perspectiva de uma fotografia» e a ‘Extend’ «expande automaticamente a imagem com novo conteúdo para preencher as áreas adicionais». IA à parte, os álbuns partilhados do iCloud passam a ser compatíveis com fotografias na resolução original e podem receber imagens enviadas por utilizadores de Android ou Windows.
O Safari também entra neste “jogo”, assim como a app ‘Palavras-passe’: o primeiro passa a organizar automaticamente separadores, favoritos e a ‘Lista de Leitura’ por temas, além de analisar sites para detectar alterações; a segunda consegue substituir automaticamente credenciais fracas por versões mais seguras. Finalmente, a aplicação Atalhos cria automatizações a partir de instruções escritas em linguagem natural e há «melhorias no desempenho geral do sistema, no AirDrop, na gestão de múltiplos monitores, no Spotlight e nos controlos parentais», sublinha a Apple.
Fim da linha para os Macs Intel
O Golden Gate marca também uma mudança importante ao nível da compatibilidade. Esta versão só pode ser instalada em Macs equipados com processadores Apple Silicon (M1 ou posteriores), pelo que quem tiver um computador Intel fica “preso” ao Tahoe. Além disso, será a última versão do macOS a oferecer compatibilidade completa com a Rosetta 2, a tecnologia que permite executar aplicações desenvolvidas para Macs Intel nos computadores com Apple Silicon. A partir daqui, a Apple fecha definitivamente a porta ao passado e passa a olhar apenas para a sua própria arquitectura. O nome escolhido pela Apple acaba por ser simbólico: o Golden Gate é a ponte para a nova era da empresa, mas não está ao alcance de todos – os Mac com Intel não a vão poder atravessar.
Vidro Líquido mais personalizável
O Golden Gate vai trazer uma evolução da interface Liquid Glass, introduzida no macOS Tahoe. A Apple reviu o design para responder às críticas dos utilizadores e, agora, é possível ajustar o nível de transparência dos elementos através de um controlo dedicado ou optar por um aspecto mais opaco para facilitar a leitura. Além disso, o novo macOS vem com barras laterais redesenhadas, ícones mais detalhados e cantos das janelas menos arredondados. O objectivo é tornar o ambiente de trabalho mais «consistente e legível».
