A The Document Foundation, entidade responsável pelo desenvolvimento do LibreOffice, voltou a apontar baterias à Microsoft devido às opções de design do seu pacote de produtividade. A fundação publicou um texto onde contesta a ideia de que o famoso friso do Office seja a interface mais polida e ergonómica do mercado. Esta postura crítica não é uma novidade para a organização, que no passado já teceu duros comentários sobre as licenças perpétuas, os formatos proprietários e até a forma como o Excel lida com datas. Este histórico de confrontos verbais estende-se a outros projectos rivais, como ficou patente quando a equipa de desenvolvimento decidiu acusar uma nova alternativa europeia de ser uma mera cópia do software da gigante de Redmond.
A ditadura do friso
A principal queixa da fundação reside na falta de flexibilidade imposta aos clientes. Os responsáveis pelo projecto de código aberto aceitam que o design em friso pode ser competente para um utilizador de nível intermédio, mas argumentam que falha redondamente ao tentar servir todos os perfis. A interface da Microsoft é acusada de ignorar as necessidades dos utilizadores avançados que recusam perder espaço vertical no ecrã, das pessoas que estão a migrar de outros programas e daqueles que trabalham em monitores de pequenas dimensões. Como a ergonomia é um indicador de desempenho mensurável, a equipa defende que a solução da Microsoft obriga a compromissos que são impostos a todas as empresas e particulares, independentemente da sua vontade.
Para contrastar com esta abordagem rígida, o LibreOffice segue um caminho diametralmente oposto ao oferecer uma vasta panóplia de opções visuais. Os utilizadores podem escolher livremente entre o esquema tradicional de menus e barras de ferramentas, uma interface com separadores, uma versão compacta, uma barra agrupada, uma barra lateral ou um modo de barra de ferramentas única. A fundação sublinha que o programa se molda ao utilizador, em vez de forçar o utilizador a adaptar-se ao design.
Novidades a caminho
Apesar de todas as críticas tecidas ao modelo da Microsoft, a The Document Foundation anuncia que a versão 26.8 do LibreOffice vai trazer uma interface de separadores bastante semelhante ao friso do Office. A organização apressa-se a esclarecer que esta introdução não representa uma admissão de derrota, mas sim uma forma de alargar ainda mais o leque de escolhas disponíveis para a comunidade. Nenhuma das opções visuais existentes será descontinuada com esta actualização, de forma a manter o compromisso com a natureza aberta do projecto.
