O adolescente que acusava a Meta de criar plataformas capazes de provocar dependência desistiu do processo, poucos dias antes do início do julgamento no Tribunal Superior da Califórnia, em Los Angeles. A empresa assegura que o autor da acção «não recebeu qualquer pagamento» para abandonar o caso.
Conhecido apenas pelas iniciais ‘R.K.C.’, este adolescente tinha processado a Meta, a Snap, a TikTok e a Google, proprietária do YouTube, por criarem «serviços destinados a manter os utilizadores ligados durante mais tempo», recorda o TechCrunch.
A TikTok e o YouTube já tinham alcançado acordos com o jovem, enquanto a Snap confirmou, na Terça-Feira, a existência de um entendimento provisório. A Meta ficou, assim, como a única acusada antes de o processo ser retirado.
O julgamento, previsto para começar na próxima semana, era considerado um «caso-piloto» entre os «milhares de processos» iniciados por adolescentes, escolas e procuradores-gerais estaduais contra as maiores empresas tecnológicas. As acusações centram-se em funcionalidades como o «scroll infinito e as sucessivas notificações, criadas para aumentar o envolvimento dos utilizadores».
«Uma decisão favorável ao jovem poderia estabelecer um precedente com consequências na forma como estas empresas desenvolvem as aplicações», diz a mesma fonte. A desistência impede, pelo menos neste processo, uma apreciação judicial sobre a «responsabilidade das plataformas pelos possíveis efeitos aditivos dos seus serviços».
Neste caso, a Meta preparava-se para argumentar que o jovem utilizava, em média, as contas de Facebook e Instagram «durante apenas alguns minutos por dia». A empresa iria, ainda, alegar que a «maioria dos perfis tinha sido criada depois de o adolescente contratar um advogado».
