A invasão de música gerada por Inteligência Artificial (IA) tem inundado a Internet nos últimos anos. Para combater a proliferação de conteúdos de baixa qualidade, o Spotify decidiu agir e apagou mais de 75 milhões de faixas da sua plataforma, de acordo com o site Neowin.
A relação da empresa sueca com a IA é complexa. Embora a plataforma incentive a utilização de novas tecnologias, existe a necessidade de preservar padrões mínimos de qualidade. Sam Duboff, executivo responsável pelo marketing e políticas da empresa, reconheceu que a situação coloca o serviço numa posição difícil. Existem linhas ténues sobre o que é considerado o uso legítimo de IA na música actual, o que torna o controlo de qualidade uma tarefa bastante confusa.
Esta postura reflecte a visão da liderança, já que no passado a direcção da empresa defendeu a presença de música sintética no catálogo, prometendo salvaguardar os direitos dos criadores humanos.
O peso dos algoritmos na indústria musical
Duboff sublinhou que os servidores do serviço recebem cerca de 100 mil novas músicas todos os dias. Análises recentes da indústria indicam que aproximadamente 44% de toda a música carregada nas plataformas de streaming tem origem em ferramentas de Inteligência Artificial. Mesmo que esta estimativa peque por excesso, estamos a falar de dezenas de milhares de faixas sintéticas a chegar ao catálogo diariamente.
O problema não reside apenas nas faixas totalmente artificiais. Muitos artistas reais estão a integrar ferramentas inteligentes no seu fluxo de trabalho habitual nos estúdios. As grandes empresas tecnológicas continuam a incentivar esta adopção, e o próprio serviço de streaming tem vindo a expandir o seu ecossistema inteligente. Recentemente, a plataforma disponibilizou um assistente virtual para ajudar os utilizadores a descobrir novos temas e apresentou uma nova ferramenta dedicada à criação automatizada de podcasts.
A facilidade de criar lixo digital
Grande parte desta inundação deve-se à extrema facilidade com que hoje se gera música. Plataformas como o Suno permitem que qualquer pessoa escreva um simples comando de texto e receba uma canção completa em poucos segundos. Da mesma forma, o modelo Lyria da Google alimenta funcionalidades semelhantes, disponíveis para todos através do Gemini.
Como a maioria destes utilizadores não tem formação musical profissional, os problemas de qualidade nas faixas geradas tornam-se evidentes, obrigando as plataformas a intervir de forma drástica para manter a relevância e a organização dos seus catálogos.
